Com exceção das escolas mantidas por religiosas, nas escolas públicas foram os homens que por muito tempo ocuparam funções de diretores e inspetores.

Esther Pedreira de Mello era baiana, da cidade de Cachoeira. Estudou na Escola Normal para ser professora primária a partir de 1897, após os exames finais realizados na 4ª escola feminina do1º Distrito, tendo sido aluna exemplar, razão pela qual foi convidada, a partir de 1902, ainda aluna da instituição, a reger as aulas de Pedagogia pelo Prefeito Pereira Passos, aos 22 anos.

Foi, também, após sua formatura como normalista, no final do ano letivo de 1902, designada por Medeiros e Albuquerque como Inspetora Escolar, sendo então a primeira mulher a ocupar tal cargo.

Esther Pedreira de Mello assumiu a direção da Escola Normal, ao deixar este cargo o Dr. Ignácio Manuel Azevedo do Amaral (1883-1950). Foi a primeira mulher brasileira a dirigir um colégio público formador de professores primários, no Distrito Federal. Não foi, no entanto, bem recebida na Escola Normal como Diretora seja pelos professores, seja pelos alunos, ainda que poucos. Neste momento a representação que existia para a mulher era voltada para o lar e, se professora fosse, não detinha cargos de mando, o que fazia parte das atribuições masculinas. Acreditava-se que a mulher teria menos firmeza nas decisões, com excesso de sentimento e tolerância.

Paschoal Lemme relembra, em suas memórias um “incidente” que quebrou “a regularidade das aulas” em seu tempo de estudante normalista (1919) no Rio de Janeiro:

“Foi uma revolta, principalmente dos rapazes, contra a nomeação de Esther Pedreira de Mello para diretora da escola, a primeira mulher a ascender a essa posição, apesar de ser professora de renome e também uma das primeiras a ocupar o cargo de inspetora escolar.”

A nomeação de Esther causou significativa mudança no corpo discente da escola. Segundo o próprio Lemme, “em conseqüência dessas medidas, o velho casarão do Largo do Estácio, onde funcionava então a Escola Normal, encheu-se de repente com cerca de três milhares de novos alunos, a maioria, naturalmente, constituída de elementos do sexo feminino, que sempre predominaram no magistério primário: a matrícula que fora de 889 alunos, em 1918, subiu para 2.950, em 1919.”

Não encontra-se nenhuma obra sobre Esther Pedreira de Mello e sua participação profissional na Inspetoria da Instrução Pública e na Escola Normal. Seu nome, no entanto, foi citado na Conferência pelo Progresso Feminino, como também na fundação, como presidente, da Revista O Ensino Primário. Também aparece como membro de Comissão, para deliberação de estágios e programas de ensino sobre as escolas rurais e urbanas, em 1921, do acervo do Ministério da Justiça e Negócios Interiores.

Uma mulher, nascida no século XIX (1880), que participou da luta feminina não tem seus reconhecimentos póstumos por esta ação. Esther, está na penumbra.

Referências: Pesquisa de tese de doutoramento por Heloisa Helena Meirelles dos Santos, UERJ. >http://heloisahmeirelles.blogspot.com.br/p/esther-pedreira-de-mello-uma-feminista.html

Do Umbigo Pra Baixo

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