12 mulheres brasileiras para se inspirar

VOE: Ada Rogato (1910 – 1986) 

Nascida em São Paulo (SP), foi pioneira da aviação no Brasil. Foi a primeira aviadora brasileira a receber a Comenda Nacional de Mérito Aeronáutico, no grau de “Cavaleiro”, por ter percorrido quatro países da América do Sul – Paraguai, Chile, Argentina, Uruguai – e sobrevoado, por duas vezes, a cordilheira dos Andes. Foi a primeira mulher a obter a licença de paraquedista, realizando mais de 100 saltos. Ada foi homenageada por diversos países da América Latina, como Bolívia, Argentina e Chile. Em 1952, ela pilotou seu avião do Brasil até o aeroporto de La Paz, o mais alto do mundo! Em sua biografia é considerada pioneira em diversos voos e saltos, como por exemplo, ser a primeira a pousar em Brasília, quando a capital do país ainda estava em construção e a primeira aviadora a aterrissar na cidade de Ushuaia, na Terra do Fogo, Argentina.

CORRA: Aida Dos Santos (1937)

Atleta negra brasileira, especialista no salto em altura. Formada em pedagogia, geografia e educação física. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio de 1964, ela foi a única mulher da delegação brasileira e não teve patrocinador nem apoio da federação, além de ter viajado sem técnico e sem intérprete. Entre outros obstáculos, teve que usar uma sapatilha emprestada por um corredor cubano. Conquistou a quarta colocação no salto em altura. Foi durante 32 anos a brasileira com melhor desempenho na história dos Jogos Olímpicos.

EXPLORE: Antonieta De Barros (1901-1952) 

Primeira deputada negra do Brasil. Nascida em Florianópolis, Santa Catarina. Antonieta foi professora de magistério e fundou em 1921 o curso Antonieta de Barros voltado para alfabetização. Foi eleita para a Assembleia Catarinense em 1934,  tornando-se a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina. Antonieta foi responsável por redigir os capítulos sobre educação, cultura e funcionalismo da nova Constituição do Estado. Eleita pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935. Atuou na Assembleia Legislativa catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo. Ao longo de sua vida, atuou como professora, jornalista e escritora.

INSPIRE: Bertha Lutz (1894-1976)

Nascida em São Paulo, Bertha licenciou-se em Ciências Naturais pela Sorbonne, em Paris, com especialização em anfíbios anuros. Foi docente e pesquisadora do Museu Nacional, sendo a segunda brasileira a fazer parte do serviço público brasileiro. Foi uma das fundadoras do Progresso Feminino, em 1922, organização que lutou pelo direito ao voto das mulheres. Tornou-se advogada em 1933. Foi eleita primeira suplente de deputado federal, tendo assumido a cadeira na Câmara Federal durante pouco mais de um ano, em 1936, após a morte do deputado Cândido Pereira. Como deputada, defendeu mudanças na legislação referentes ao trabalho da mulher e do menor, a isenção do serviço militar, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, que era então de 13 horas. Sua carreira política se encerrou em 1937, quando Vargas decretou o Estado Novo. Continuou no serviço público até se aposentar, em 1964, como chefe de botânica do Museu Nacional. Bertha esteve presente na delegação brasileira de 1945 que ajudou a redigir a Carta das Nações Unidas e incluir a agenda de direitos das mulheres.

FALE: Margarida Maria Alves (1933-1983)

Nascida na Paraíba, Margarida foi Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Durante o período em que esteve à frente do sindicato, foi responsável por mais de cem ações trabalhistas na justiça do trabalho. Sua atuação no sindicato entrou em choque com os interesses dos fazendeiros locais e do proprietário da maior usina de açúcar local, a Usina Tanques. Margarida foi assassinada por um matador de aluguel, no dia 5 de agosto de 1983. Ela estava em frente a sua casa, com seu marido e filho. Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, até hoje nenhum dos mandantes foi condenado. Em 2000 nasceu a “Marcha das Margaridas”, inspirada em Margarida Alves. A Marcha é uma mobilização das mulheres do campo e da floresta que integram o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e de movimentos feministas e de mulheres.

CANTE: Elza Soares (1930)

Nascida na zona oeste do Rio de Janeiro, possui mais de 60 anos de carreira na música e no carnaval. Foi uma pioneira, em 1969, ao aceitar o desafio de puxar o samba de uma escola na avenida, quando a prática não era comum entre as mulheres. Com maestria, cantou “Bahia de todos os deuses”, de Bala e Manoel, e ajudou o Salgueiro a conquistar o campeonato naquele ano. Ao longo de sua carreira também representou outras escolas de samba como a Mocidade Independente e a Acadêmicos do Cubango. Em 2020, aos 90 anos, foi homenageada sendo o tema da Mocidade Independente de Padre Miguel no desfile “Elza Deusa Soares”, do qual participou no alto de um carro alegórico. Foi eleita em 1999, pela Rádio BBC de Londres, como a cantora brasileira do milênio.

ENSINE: Maria Lacerda de Moura (1887-1945)

Nascida em Minas Gerais, foi uma pensadora anarquista brasileira, considerada uma precursora do anarcofeminismo. Escreveu mais de vinte livros, entre eles: A mulher e a maçonaria (1922), A fraternidade na escola (1922), Religião do amor e da beleza (1926, 1929),  Serviço Militar para mulheres: recuso-me e outros escritos (1931, 1999), Amai e… não vos multipliqueis (1932), Fascismo: filho dileto da igreja e do capital (1934, 2012, 2018). Todos traduzidos para outros países. Escreveu em diversos jornais e revistas anarquistas. Viveu entre 1928 e 1937 em uma comunidade agrícola em Guararema, no interior de São Paulo, onde se formavam anarquistas. Seu livro “A mulher é uma degenerada” publicado em 1924 teve uma versão fac-símile feita pela editora Tenda de Livros em 2018.

ESCREVA: Carolina de Jesus (1914-1977) 

Assim como as palavras, as pessoas que as escrevem não podem ser apagadas“.

Nascida na cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Foi uma grande poeta e escritora brasileira. Mulher negra e pobre, Carolina escrevia em papéis que achava na rua. E essa foi sua profissão durante anos: catar latinha e papelão. Morou na favela do Canindé, em São Paulo. Seu livro, intitulado “Quarto de despejo”, foi lançado em 1960, aos 46 anos. Era um diário sobre a realidade na qual estava inserida. O livro foi traduzido para diversos idiomas e vendeu diversas cópias. Ela também gravou um disco com o mesmo tema do livro, lançado pela RCA Victor, disponível no youtube. Carolina também escreveu os livros “Provérbios” de 1963, Pedaços de Fome, de 1963 e em 2018 a Editora Ciclo Contínuo publicou “Meu Sonho é escrever…” com contos inéditos e outros escritos de Carolina, organizados pela pesquisadora Raffaella Fernandez.

DESAFIE: Nise da Silveira (1905 – 1999)

Nascida em Maceió, Alagoas,  formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a única mulher numa turma de 157 alunos. Durante o governo Getúlio Vargas, chegou a perseguida por frequentar reuniões do Partido Comunista. Em 1936, após ser denunciada por uma enfermeira com quem trabalhava no Hospital Nacional por possuir livros marxistas, foi presa por 18 meses, no presídio da Frei Caneca. Em 1944, reintegrada ao serviço público, inicia seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, lutando contra as técnicas psiquiátricas agressivas da época. Nise foi pioneira na terapia ocupacional no Brasil. Seus clientes, como ela chamava, realizavam diversas formas de arte como tratamento, desde escrita até a pintura.  Em 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro.

RESISTA: Dinalva Oliveira Teixeira (1945 – ?)

Nascida em Castro Alves, na Bahia, Divalda era Geóloga. Por participar ativamente de movimentos estudantis, foi presa em 1967 e 1968. Solta em 1969, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no Ministério de Minas e Energia. Em 1970, adotou o codinome de Dina e mudou-se para o Araguaia, sendo a vice-comandante da guerrilha. Após ser perseguida e torturada pela força repressora da ditadura militar, existem versões que indicam que a mesma foi metralhada por generais, mesmo estando grávida. Há indícios que ela desapareceu na Guerrilha do Araguaia, junto com mais 61 militantes. Dina é tida como desaparecida política até hoje, pois seu corpo nunca foi encontrado. O reconhecimento de que Dina desapareceu se deu inicialmente pela lei nº 9.140/1995. Seu nome também consta no Dossiê ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964–1985), de organização da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

DESCUBRA: Graziela Maciel Barroso (1912 – 2003)

Nascida no Mato Grosso do Sul, foi uma naturalista e botânica brasileira. Conhecida como a Primeira Dama da Botânica no Brasil, foi a maior taxonomista de plantas do Brasil. Mais de 25 espécies vegetais identificadas nos últimos anos foram batizadas com seu nome, como Dorstenia grazielae. É considerada a primeira mulher a concluir um curso de graduação na área de Ciências Biológicas no Brasil. Graduou-se em História Natural (1961) pela Universidade da Guanabara, hoje UERJ e terminou o Doutorado pela Unicamp (1973), defendendo a tese Compositae – Subtribo Baccharidinae Hoffmann – Estudo das espécies ocorrentes no Brasil. Foi professora de Botânica e Chefe do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade de Brasília, a UnB, desde sua criação (1969).

LUTE: Maria Quitéria (1792-1853)

Nascida em São José das Itapororocas (hoje distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana), na Bahia. Uma das principais personagens da independência, Maria Quitéria foi a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar das Forças Armadas Brasileiras e a primeira mulher a entrar em combate pelo Brasil. Entrou para o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, vestindo o uniforme de seu cunhado. Se passou por um homem, apresentando-se como soldado Medeiros. Lutou na Bahia de Todos os Santos, em Ilha de Maré, Barra do Paraguaçu, na cidade de Salvador, na estrada da Pituba, Itapuã, e Conceição. Após ser descoberta pelo pai, foi defendida pelo Major José Antônio da Silva Castro, comandante do batalhão. Ele permitiu que ela seguisse no combate, pois mostrava muita habilidade com armas. Em 2 de julho de 1823, quando o “Exército Libertador” entrou em triunfo na cidade do Salvador, Maria Quitéria foi saudada e homenageada pela população em festa. Em 28 de julho de 1996, foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Por determinação ministerial, sua imagem deve estar em todos os quartéis do país. Em Salvador, uma estátua foi erguida em 1953, ano do centenário de sua morte, no Bairro da Liberdade.

Arte por Ju Adlyn.

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