Alice Walker

“O que significava uma mulher negra ser uma artista no tempo de nossas avós? E no tempo de nossas bisavós? Essa é uma questão com uma resposta cruel o suficiente para estancar o sangue.

Você teve uma tataravó genial que morreu sob o chicote de um capataz ignorante e depravado? Ou ela era obrigada a assar biscoitos para um vagabundo preguiçoso, enquanto sua alma urgia por pintar aquarelas do pôr-do-sol, ou da chuva caindo nos pastos verdes e serenos? Ou seu corpo foi quebrado, forçado a parir crianças (que eram frequentemente vendidos e levados para longe dela) – oito, dez, quinze, vinte crianças – quando sua única alegria era o pensamento de esculpir modelos heroicos da rebelião em pedra ou argila?

Como foi mantida viva a criatividade da mulher negra, ano após ano e século após século, quando na maior parte do tempo em que os negros estiveram na América, era um crime passível de punição um negro ler ou escrever? E a liberdade para pintar, esculpir, para expandir suas mentes com ações não existia.

Considere, se é que você consegue imaginar, o que podia ter sido o resultado se cantar também fosse proibido por lei. Escute as vozes de Bessie Smith, Billie Holliday, Nina Simone, Roberta Flack e Aretha Franklin, entre outras, e imagine essas vozes amordaçadas por todas suas vidas.Talvez então você comece a compreender as vidas de nossas “loucas”, “Santas” mães e avós. A agonia da vida de mulheres que poderiam ter sido Poetas, Novelistas, Ensaístas, Escritoras de Contos (por um período de séculos), que morreram com seus dons verdadeiros abafados dentro de si.”

Trecho do texto “Em Busca do Jardim de Nossas Mães”, traduzido por Letícia Cobra Lima. Para ler inteiro: http://goo.gl/sNiRT4

Alice Malsenior Walker (Condado de Putnam, Geórgia, EUA, 9 de fevereiro de 1944) é uma escritora estado-unidense, lésbica e ativista feminista.

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Filha de agricultores, ela perdeu a visão de um dos olhos aos 8 anos de idade, num acidente. Graduo-se em Artes pelo Sarah Lawrence College, em 1965. Iniciou sua carreira de escritora com Once, um volume de poesias, e alcançou fama mundial com A Cor Púrpura.
O romance A Cor Púrpura foi premiado com o Prémio Pulitzer de Ficção, e deu origem a um filme dirigido por Steven Spielberg.

Na obra, a personagem escreve cartas a Deus e à irmã desaparecida. Walker mostra representações de uma mulher negra sulista quase analfabeta, que vive em uma realidade dura de pobreza, opressão e desamor.

A autora escreveu também o livro De amor de desespero, uma obra composta pelas vozes de várias mulheres negras do sul dos Estados Unidos.

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Walker sempre foi uma ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o apartheid e contra a mutilação genital feminina em países africanos.

Em 1984, fundou sua própria editora, a Wild Trees Press.

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