UMA MULHER NO TRIO VENCEDOR DO PRITZKER 2017

Carme Pigem, nasceu em 1962 na cidade de Olot, Catalunia [Espanha]. Formou-se em arquitetura pela Escola Técnica Superior de Arquitetura do Vallés [ETSA Vallés], tendo anteriormente passado pela escola de Belas Artes em Olot [1979]. Foi professora de projeto arquitetônico e paisagismo na ETSA Vallés entre 92 e 99 e de na ETSA de Barcelona entre 97 e 2003. De 2005 a 2007 foi professora visitante do Instituto Tecnológico de Zurique, Suíça. É premiada internacionalmente desde seu primeiro ano de formada. Entre suas referências, Pigem cita o escultor construtivista espanhol Jorge Oteiza, o escultor norte-americano Richard Serra, e o artista-plástico minimalista Donald Judd, também norte-americano.

Foi nomeada vencedora do Pritzker 2017 junto de seu escritório, o RCR Arquitects. Pela primeira vez na história, o prêmio foi dividido entre Carme Pigem, Rafael Aranda e Ramon Vilata. O reconhecimento do prêmio valoriza a arquitetura multiescalar desenvolvida pela arquiteta e seu grupo na Catalunia, especialmente em sua cidade de origem.

Carme Pigem defende um projeto compatível com a paisagem. Suas obras apresentam a sobreposição do local/global e o sentido de lugar é evidenciado pelo cuidado com o patrimônio cultural. Pigem, em conjunto com o RCR, produz edifícios intrínsecos à paisagem natural, que por sua vez, é parte fundamental em seus projetos. A busca pelo híbrido natural-construído pode ver observada na escolha dos materiais utilizados em cada obra, por exemplo, o aço coten que envelhece ao longo do tempo. Falando em tempo, outra linha de atuação é o patrimônio histórico e preservação. O próprio estúdio da RCR Arquitectes está alocado num edifício fabril do século XX, projeto de adequação patrimonial que fez parte do Unfinished, o pavilhão espanhol na última Bienal de Veneza.

A arquiteta completa um trio capaz de conceber grandes edifícios de aço e concreto, como o Crematório Hofheide, na Bélgica, mas igualmente trabalha na pequena escala como no detalhe dos interiores do restaurante Les Cols, em Olot. O Parque Tussols-Basil, também em Olot, é referencia do desenho multiescalar que vai desde espaços públicos ao mobiliário urbano. Em contramão a isso, os parques e espaços públicos não ofuscam seu trabalho em programas de arquitetura doméstica como na casa para un herrero y una peluquera, La Canya, Girona.

Espai Barberí em Olot, Catalunia, concluído em 2006.
O Parque Tussols-Basil Track and Field, terminado em 2002, Olot, Catalunya. Representativo de projeto de espaços públicos e métodos paisagísticos utilizados por RCR.
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Detalhes da tipologia construtiva no restaurante Les Cols, em Olot, Catalonia. Concluído em 2011.

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Crematório Hofheide, Nieuwrode, Bélgica [co-autoria com cousse & goris], 2014.
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De cima para baixo, Casa para un herrero y una peluquera [1999-2000]; casa Mirador [1997-1999]; casa para un carpintero [2003-2007].
Para mais informações sobre a arquiteta acesse:

1- Entrevista com a ganhadora do Pritzker para o El Diario http://www.eldiario.es/…/Entrevista-pritzker-carme-pigem_0_…

2- Fundação RCR BUNKA
http://www.rcrbunkafundacio.cat/

3- Vídeo: Carme Pigem na “November Talks 2014” do Institut für Architekturtechnologie de Graz
https://youtu.be/QV_tIJB4GWY

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[pesquisa e texto de Lucca Grzeczeczen]

[realizado na oficina “A [in]visibilidade das mulheres na arquitetura”, CAU UNILA, 2017]

Publicado originalmente na página In_visibilidad De La MUJER En La Arquitectura, no dia 12 de março de 2017.

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