Canela Grandi é uma arquiteta travesti argentina. Natural da cidade de Rosário, Canela Grandi se formou em Arquitetura na Facultad de Arquitectura, Planeamiento y Diseño (Universidad Nacional de Rosario). A arquiteta assumiu sua identidade como mulher em 2006 e iniciou sua terapia hormonal no ano de 2013.

Professora universitária há mais de três décadas, Grandi leciona na mesma universidade em que estudou. É especialista na arquitetura orgânica de Frank Lloyd Wright e dá aulas nas áreas de projeto e expressão gráfica. Seu nome social esta estampado no quadro de docentes da UNR, onde Canela sente-se acolhida por colegas, técnicos/as e alunos/as.

“Soy jefa de trabajos prácticos por concurso en Análisis Proyectual II y Expresión Gráfica I. Hace 31 años que trabajo como docente y agradezco la comprensión a directivos, colegas y alunos. […] A muchos no les gustará mi cambio, pero no me lo hacen saber, me tratan bien, con respeto y eso me basta”

Canela Grandi, que já trabalhava numa construtora própria, passou por um duro processo de adequação. Após perder 70% de seus clientes e enfrentar um tipo de discriminação sistêmica até então desconhecido, a arquiteta reinventou seu próprio traçado arquitetônico. Com um desenho mais curvilíneo e inspirado na obra de Frank Lloyd Wright, Grandi utiliza como metáfora as próprias mudanças que passou para propor alterações no espaço urbano. Canela Grandi acredita que as cidades precisam transformar-se, deixar de lado a arquitetura asséptica – com um consumo excessivo de energia e grandes índices de poluição– e assumirem uma arquitetura orgânica, ligada à natureza e onde a convivência e a integração com a paisagem orientem a projeção do espaço urbano.

17361975_423026191377751_2283480196913036736_n.jpg

17264742_423025788044458_7906723286455075090_n.jpg

17264392_423025641377806_8850858194234721129_n.jpg

17390390_423025558044481_963076377872603493_o.jpg

 

para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=yZIcvHxyy1o

[pesquisa e texto de Mateus Spíndola]

[produzido na oficina “A [in]visibilidade das mulheres na arquitetura”, CAU UNILA, 2017]

[PS: Imersa no seu contexto de performação identitária – o qual respeitamos -, a arquiteta acaba por reforçar papéis impostos pelo patriarcado da “mulher-sensível/amorosa”, que o feminismo tem lutado para combater. Em outras palavras, não existe uma arquitetura de mulher e uma arquitetura de homem; o que existe são profundos processos de clivagem de gênero que invisibilizam as mulheres arquitetas e publicizam/valorizam o trabalho de homens, sobretudo, trabalhos de homens em sintonia com os interesses do capital.]

Publicado originalmente na página In_visibilidad De La MUJER En La Arquitectura , no dia 18 de março de 2017.

Anúncios