Nascida no dia 13 de fevereiro de 1925, no município de Sapé, Paraíba, Elizabeth Teixeira é símbolo de resistência.

Seu pai era fazendeiro, proprietário e comerciante. Ela frequentou a escola, mas não terminou o primário. Aprendeu a ler, escrever e dominar as quatro operações de matemática. Foi proibida de continuar os estudos, saindo da escola para trabalhar na mercearia do pai. Foi neste estabelecimento comercial que ela conheceu João Pedro Teixeira.

A família de Elizabeth não aceitava o relacionamento pois João era negro, operário e pobre. Aos 16 anos, ela fugiu de casa para viver com ele.

Quando estava grávida de seu segundo filho, Abrahão Teixeira, Elizabeth foi morar em Recife/PE. João Pedro participava da luta da classe trabalhadora e ajudou na fundação do Sindicato dos Trabalhadores da Construção, em Recife. Por conta da luta, os empresários não davam emprego a João Pedro. Com a família passando fome, tiveram que voltar para a Paraíba.

Elizabeth viveu por muito tempo sozinha, pois João era frequentemente ameaçado e perseguido pelos latifundiários. Ele fugiu para Recife e para o Rio de Janeiro, onde fico escondido por oito meses. Nesse período, ela recebeu solidariedade dos companheiros de luta, que a ajudavam, não deixando faltar nada à família durante a ausência do marido.

Em 1962, João foi brutalmente assassinado em uma emboscada preparada por pistoleiros. Foram três tiros, pelas costas.

Depois da morte do marido, Elizabeth reuniu os militantes da Liga em uma grande Assembleia, com mais de dois mil camponeses e camponesas. Ela assumiu a liderança das Ligas e a partir daí sofreu diversos atentados de morte.

“Um dia após o golpe tentaram incendiar minha casa, mas não me encontraram, porque estava em Galiléia, cidade de Vitória, a 58 km de Recife. Quando soube do fato, fugi para dentro das matas e no dia seguinte, conseguimos chegar até Recife. Depois, cheguei a João Pessoa, procurei notícias dos meus filhos e acabei sendo presa. Passei três meses e 24 dias na prisão, no Agrupamento de Engenharia”, diz ela em entrevista ao CPT Nacional.

Com o golpe militar de 1964, teve que passar para a clandestinidade, adotando o nome de Marta Maria Costa e fugindo para São Rafael (Rio Grande do Norte), com o filho Carlos, onde viveu por 16 anos.

Na vida clandestina, Elizabeth trabalhou lavando roupas, ficou doente por conta da água poluída do rio, passou fome. Sem poder trabalhar, viveu de pequenas ajudas. Um dia, ao ver que as crianças da cidade de São Rafael viviam pelas ruas, sem escola, sem ensino nenhum, ela começou a dar aula em troca de alimentação.

Em 1981, aconteceu o encontro entre ela e o cineasta Eduardo Coutinho, que a encontrou com a ajuda de seu filho, Abrahão (que na ocasião já trabalhava como jornalista em Patos/PB).

Ela abandonou a vida clandestina, assumiu seu verdadeiro nome e voltou para João Pessoa onde vive até os dias atuais. Ao retornar, seu objetivo era encontrar seus outros filhos (ela teve 11) que estavam espalhados entre Paraíba, Recife, Rio de Janeiro e Cuba. Além desses, uma de suas filhas suicidou-se, na ocasião de sua prisão. Outros dois foram assassinados.

A casa onde viveu com João Pedro, em Sapé, foi tombada e destinada a abrigar o Memorial das Ligas Camponesas, em 2011.

“Cabra marcado para morrer” é um filme documentário sobre a vida de João Pedro Teixeira, dirigido por Eduardo Coutinho.

Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. Parte da equipe foi presa sob a alegação de “comunismo”.

O trabalho foi retomado 17 anos depois, com depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também de Elizabeth Altino Teixeira.

Fonte: cptnacional.org.br

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