Maria era uma mina que morava no Espírito Santo e foi responsável pelo ataque e expulsão de corsários holandeses capitaneados pelo almirante Pieter Heyn.

Filha do casal espanhol Juan Ortiz y Ortiz Carolina Davíco (ou Daríco), que chegaram na Vila de Vitória em 1601. Dois anos depois, no dia 20 de fevereiro, Maria nasceu. Perdeu a mãe aos 16 anos e, ao salvar Vitória de uma invasão, entrou para a história aos 22.

Na manhã do ataque, o pai de Maria, ao sair de casa para uma reunião de guerra, recomendou cuidado à mulher e à filha.
Os invasores, após chegarem à terra, em frente à Ladeira do Pelourinho, buscando atingir o paço municipal, onde se encontravam os defensores. O objetivo era tomar contar da vila e se estabelecer por lá.

Mas, ao atingirem pouco mais da metade, justamente em frente ao sobrado de Maria Ortiz, foram surpreendidos pelos ataques da jovem, que lhes jogava água fervendo, enquanto empolgava os vizinhos a lhes jogarem paus e pedras de suas janelas. Ao mesmo tempo, Maria Ortiz, aos gritos, incitava os que se encontravam na parte alta ao prosseguimento da luta. Maria pôs fogo à peça de artilharia que estava próxima à sua casa, disparando contra os invasores. Os holandeses, pegos de surpresa e feridos, tiveram que retroceder, descendo a ladeira.

Poucos foram os holandeses que chegaram ao navio sem nenhum tipo de ferimento, sendo que 38 deles foram mortos.

Maria foi citada em carta-relatório enviada, em junho de 1625, ao Governador Geral do Brasil, Diogo Luis de Oliveira: “Na repulsa dos invasores audaciosos é de justiça destacar a atitude de uma jovem moça que, astuciosamente, retardou o acesso dos invasores à parte alta da vila, por eles visada, permitindo assim, que organizássemos com os homens e elementos de que dispúnhamos, a defesa da sede. Essa jovem se tornou para todos nós um exemplo vivo de decisão, coragem e amor à terra. A ela devemos esse valioso serviço, sem o qual a nossa tarefa seria muito mais difícil e penosa. O seu entusiasmo decidido fez vibrar o dos próprios soldados, paisanos e populares na defesa e perseguição do invasor audaz e traiçoeiro”

Maria faleceu, em Vitória, a 25 de maio de 1646, antes de completar 43 anos de idade.

Em sua homenagem, mudou-se o nome da Ladeira do Pelourinho para Ladeira Maria Ortiz.

Muitas pessoas tentaram ofuscar o brilho de Maria, a difamando e inventando outras versões.

A professora Leonor Araujo, que leciona História do Espírito Santo na UFES falou sobre:
“A história oficial tenta desqualificar o personagem que não é o tipo ideal, homem-branco-cristão. É importante explicar Maria Ortiz porque vemos poucas mulheres aparecendo na história do Brasil, e quando aparecem a gente acaba se deparando com esse tipo de tentativa de depreciação”.

Referência: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2015/07/especiais/capixapedia/3901573-cafetina-ou-heroina-conheca-a-verdadeira-historia-de-maria-ortiz.html

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