Williamina Fleming, a mulher que descobriu 10.000 estrelas

Nascimento: 15 de maio de 1857, Dundee, Reino Unido
Falecimento: 21 de maio de 1911, Boston, Massachusetts, EUA
Descoberta: Nebulosa Cabeça de Cavalo
Aos 20 anos, após abandonar seu magistério e sua cidade natal, Dundee, tentando fugir de um lugar que em que as mulheres só serviam para a indústria têxtil, lá estava ela: a 5.000 quilômetros de casa, sozinha, na rua e grávida, primavera de 1879.

Williamina encontrou refúgio e trabalho como empregada doméstica na casa do diretor do Observatório da Universidade Harvard, o professor Edward Charles Pickering.

Edward ficou impressionado com tamanha inteligencia e educação por parte dela, que aguardou seu retornou da Escócia, onde deu luz ao filho, para em abril de 1881, oferece-la um emprego no Observatório.

No início, trabalhou como assistente em tarefas administrativas, fazendo cálculos de rotina.

Pickering queria introduzir novos métodos, deixar para trás a antiga astronomia de posição e movimentos e abrir caminho para a fotometria e estudos espectrais. Como Fleming se mostrava muito ágil nos cálculos de rotina, contratou outras nove mulheres para realizar os cálculos de rotina e a classificação dos espectros nas chapas fotográficas.

A equipe feminina ficou conhecida como “computadores de Harvard”. Um grupo de mulheres que continuaria aumentando nos anos seguintes e do qual surgiram algumas representantes da astrofísica mais importantes da história. Como responsável nomeou Nettie Farrar, que poucos meses depois abandonaria a carreira para se casar. Pickering não teve dúvidas: Mrs. Fleming iria substituí-la.

Corajosa e incansável, Williamina Fleming identificou e classificou os espectros de mais de 10.000 estrelas. Ampliou a classificação de quatro grupos de Secchi e introduziu um novo esquema baseado em 16 tipos, usando como referência as linhas de absorção do hidrogênio, identificados alfabeticamente de A a N (pulando a letra J), mais as letras O para estrelas com linhas brilhantes de emissão, P para nebulosas planetárias, e Q para as estrelas que não se encaixam nos grupos anteriores. Essa primeira parte do catálogo Draper, em compensação pelo financiamento recebido, foi publicada por Pickering em 1890, sem citar Fleming como autora, e é a base da classificação espectral utilizada atualmente (classificação de Harvard).

A chegada de espectros de resolução cada vez maior e a instalação de um telescópio em Arequipa, no Peru, no Hemisfério Sul, permitiram que a equipe liderada por Fleming e Pickering avançasse a classificação, especialmente com as importantes contribuições de duas outras mulheres, Antonia C. Maury e Annie J. Cannon, que reorganizaram os grupos espectrais e aumentaram o número de estrelas classificadas. Na publicação das ampliações do catálogo Draper lideradas por Maury (1897) e Cannon (em 1901 e várias outras até sua morte, em 1941) seus nomes já constam como autoras do trabalho. No total, as classificações de estrelas realizadas por essas mulheres somaram mais de 400.000.

Também deve ser atribuída a Williamina a descoberta de 10 supernovas e mais de 300 estrelas variáveis, tendo medido a posição e magnitude de 222 delas (1907), como parte da linha de trabalho que seria conduzida por Henrietta Swan Leavitt, que realizaria uma das descobertas fundamentais da astrofísica: a relação período-luminosidade das Cefeidas, com base na medição de distâncias no Universo.
Finalmente, 59 nebulosas, entre as quais se encontra um dos objetos mais belos e fotografados do espaço, a nebulosa Cabeça de Cavalo, na constelação de Orion (1888). Apenas uma descoberta dessa importância serviria para compensar os sacrifícios de qualquer astrônomo.

Antes de uma pneumonia matar Mina aos 54 anos, ela ainda teve tempo de publicar uma última classificação de um tipo de estrelas com um espectro particularmente especial e de cor branca, que posteriormente seriam chamadas de “anãs brancas”. Mrs. Fleming foi nomeada curadora da coleção fotográfica do Observatório, sendo o primeiro cargo organizacional ocupado por uma mulher.

[texto de apoio http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/28/ciencia/1446051155_519282.html?id_externo_rsoc=TW_CM]

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