CAMPO GRANDE (CAPITAL DO MATO GROSSO DO SUL) FOI FUNDADA POR UMA MULHER, MAS ESSA HISTÓRIA NÃO É RECONHECIDA!

Escrava nascida em Mineiros, interior de Goiás, Eva tinha um sonho: dar um bom estudo para suas três filhas.
Em 1887, aos 49 anos, Eva obteve sua carta de alforria, momento no qual realizaria seu segundo sonho: ir para o Mato Grosso (atualmente, Mato Grosso do Sul) e construir um lugar para seus descendentes. Saiu de Goiás em 1905, chegando em Campos de Vacaria, hoje, Campo Grande, onde trabalhou como lavadeira, parteira, cozinheira, curandeira e benzedeira. Ela impressionava a todos pois sabia ler e escrever, algo que era inesperado de uma escrava.
Em 1910, decidiu pagar uma a promessa a São Benedito por a ter curado de uma ferida na perna. Construiu uma capela em agradecimento ao santo e conclui a igrejinha em 1912, demolida e substituída por uma de alvenaria em 1919. Tia Eva está enterrada dentro desta pequena igreja, a mais antiga da cidade.

“Sempre nos falaram que quando José Antônio Pereira chegou por aqui, ‘não havia nada’, só uma comunidade negra nos altos do São Francisco. Esta comunidade só pode ser a nossa. Foi a Tia Eva que fixou o povoado na região do ‘Alto São Francisco’”, explica Lúcia da Silva Araújo, 52 anos, tataraneta de Eva e presidente da Associação dos Descendentes de Tia Eva.

Comunidade Negra da Igrejinha de São Benedito, localizada a uns 15 km do centro de Campo Grande. O local, que abriga umas 60 casas, é reduto dos descendentes de Eva Maria de Jesus, mais conhecida como Tia Eva. Nos dias de hoje, praticamente 115 famílias formam a comunidade. No dia 5 de maio de 1998, a Igrejinha de São Benedito recebeu o definitivo tombamento como parte do Patrimônio Histórico de Mato Grosso do Sul, pelo governo do Estado.

O busto de Tia Eva foi feito com base na descendente que mais se pareceu com ela, pois não possui nenhuma foto.

A história “oficial”, ensinada nas escolas, diz que José Antônio Pereira apareceu conduzindo uma expedição composta de 11 carros mineiros, sementes e mudas diversas, se fixando na confluência dos córregos Prosa e Segredo, área que depois se tornou Campo Grande. Mas a comunidade negra já estava lá e foi apagada da história. Assim como Tia Eva, que segue sendo esquecida.

Deixo aqui a matéria que serviu como fonte da pesquisa:
http://www.midiamax.com.br/midiamais/terra-agronegocio-versao-ex-escrava-fundou-campo-grande-nao-bem-vinda-271479

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