Nascida no dia 3 de fevereiro de 1909, em Paris. Foi uma escritora, mística e filosofa francesa.
Irmã mais jovem do matemático André Weil, Simone nasceu numa família judia não-praticante; ela e o irmão cresceram agnósticos. Simone já falava grego arcaico aos doze anos de idade. Aos 15, obteve um bacharelado em filosofia e passou três anos preparando-se para o exame da École Normale Supérieure sob a supervisão do filósofo anticonformista “Alain” (que a apelidou – por causa das roupas estranhas que costumava usar – de “Marciana”). Uma das primeiras mulheres a estudar na instituição.
Em 1931, Simone Weil tornou-se professora numa escola secundária para moças em Le Puy, onde ganhou outro apelido: “Virgem Vermelha”, algo como um misto de freira e anarquista. Compartilhava a atividade do magistério com períodos exaustivos trabalhando em fazendas e fábricas, método pelo qual encontraria “o tempo como condição e o espaço como objeto” de sua ação, pois segundo seu pensamento, o mundo é o lugar adequado para um intelectual estar, ajudando as pessoas a refinarem seus poderes de observação e capacidade crítica; e que o papel apropriado para a ciência é permanecer integrada com a vida produtiva, sem a qual, torna-se meramente um sistema remoto de sinais vazios. Depois de dizer para suas alunas que “a família é prostituição legalizada… a esposa é uma amante reduzida à escravidão”, foi transferida de escola e de cidade.

Em 1933, publicou o artigo “Allons-nous vers la révolution prolétarienne?” (Vamos para a revolução proletária?”), no qual enfatizava: a opressão do proletariado era causada pelas técnicas da produção industrial, presentes tanto no capitalismo quanto no socialismo burocrático vigente na Rússia. Rla observou posteriormente: “não é a religião, mas a revolução que é o ópio do povo”. A sua própria experiência de operária metalúrgica, iniciada alguns meses mais tarde, levou-a a mais bem compreender que: em nenhum país onde prevaleciam as técnicas produtivas implantadas a partir do modo de produção capitalista (incluindo os que estavam sob o domínio do nazismo, do fascismo e do stalinismo), o planejamento da produção estava prestes a cair sob o controle operário; assim, os mais generosos ou corajosos militantes revolucionários, na mais trágica hipótese, seriam mártires em busca de sua própria morte.
Em 1934, Simone licenciou-se por dois anos do magistério para tentar viver como e entre operários. Sua resistência física só lhe permitiu levar o projeto até agosto de 1935, quando, trabalhando na linha de montagem de carros da Renault, ficou doente com uma inflamação na pleura.
Um tempo depois, escreveu “Ne recommençons pas la guerre de Troie” (“Não vamos recomeçar a guerra de Tróia”) para a revista Nouveaux Cahiers, lamentando que, “embora vivamos entre realidades mutáveis, diversas e determinadas pelo jogo volúvel de necessidades externas, agimos, lutamos, sacrificamos a nós e a outros em nome de abstrações cristalizadas, isoladas” (como nação, capitalismo, comunismo e fascismo).
Forçada a parar de lecionar por causa de constantes enxaquecas, Simone tornou-se crescentemente obcecada por questões metafísicas. Começou a estudar os maniqueus, gnósticos, pitagóricos, estóicos, taoísmo e budismo. Devorou o Livro dos Mortos egípcio, e ficou tão impressionada com o Bhagavad Gita que começou a aprender sânscrito por conta própria. Posteriormente, ao ouvir um canto gregoriano num mosteiro beneditino enquanto sua enxaqueca estava no auge, ela “experimentou a alegria e amargura da paixão de Cristo como um evento real” – e pela primeira vez começou a pensar em si mesma como uma pessoa religiosa.

Em 1940, quando os alemães entram em Paris, ela foge para Marselha onde passa a colaborar, sob o pseudônimo de Emile Novis, com o jornal Les Cahiers du Sud organizado por um grupo de escritores fugitivos. Lá que conheceu o padre católico Joseph-Marie Perrin, que fica tão impressionado com os pensamentos dela sobre a cristandade que a convida a batizar-se. Simone, todavia, recusa a oferta afirmando que “não quero ser adotada por um círculo, viver entre pessoas que dizem ‘nós’ e ser parte de uma ‘gente’, descobrir que ‘estou em casa’ em quaisquer cercanias humanas, sejam lá quais forem… sinto que é necessário e ordenado que eu deva permanecer só, uma estranha e uma exilada em relação a qualquer círculo humano, sem exceção.”
Distante dos pais que estavam em segurança nos Estados Unidos, ela trabalhou nos campos e vinhedos durante a colheita ao lado dos camponeses, dormia num saco de dormir no chão e se alimentava somente de cebolas e tomates. Também escreveu muito.

Em abril de 1942, ela deixa seus diários com Thibon e emigra para os Estados Unidos, de onde começa a planejar seu retorno à Europa. Escreve para o governo provisório francês exilado em Londres. Também começou a escrever uma nova série de diários, que Albert Camus, que a chamava de “o único grande espírito do nosso tempo”, eventualmente publicou como “Cahiers d’Amerique” (“Diários da América”) na coleção “La Connaissance Surnaturelle” (“Conhecimento Sobrenatural”). Simone conseguiu ser chamada à Londres, onde viu-se encarregada de analisar todas as sugestões de como organizar a França depois da guerra. Desapontada com o nacionalismo gaullista, que considera antiquado, logo renunciou ao cargo, e afirmando que não tinha o direito de comer mais do que seus camaradas na França ocupada, deixou-se passar fome até que teve de ser hospitalizada.

Depois de sua recuperação, escreveu “L’Enracinement” (“O Enraizamento”), onde reafirma seu posicionamento: antes que a sociedade possa ser regenerada, devemos reconhecer que cada problema social é um sintoma de um profundo “desenraizamento” (um estado “mais ou menos similar à vida puramente vegetativa”), produzida por – naturalmente – dinheiro, “mecanismo”, ciência e tecnologia divorciadas da vida e o uso da força. A política deve ser algo mais do que impor uma ideologia sobre a tática particular de um grupo social que queremos levar adiante, conclui Simone. Deveria ser uma reflexão inteligente sobre a realidade, conduzida por pensadores profundos.
Pouco depois de terminar “O Enraizamento”, ela escreveu em seu diário: “dado o dilema geral e permanente da humanidade neste mundo, comer até que se esteja saciado é um abuso (E eu tenho sido culpada muitas vezes.)”

Simone recebeu um diagnóstico de tuberculose em abril de 1943. Enviada para um sanatório no campo, recusou-se a se alimentar, insistindo que suas refeições deveriam ser mandadas para a França. Morreu de parada cardíaca aos 34 anos de idade no Sanatório Grosvenor, em Ashford, Kent.

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