Olga Benário

Olga Benário nasceu em Munique, na Alemanha, em 1908. Filha de uma família judia sem muitos recursos, aos 15 anos entrou para uma organização clandestina, vinculada à Juventude Comunista, onde conheceu Otto Braun.

Em 1926, mudou-se com ele para Berlim, para divulgar o Partido Comunista Alemão. Foi presa no ano seguinte junto com Otto, sendo liberada logo depois. Em uma operação, Olga invadiu um quartel da Gestapo e salvou o marido, em 1928.

Na Rússia, ela foi graduada pelo Comintern e recebeu diversas missões. Numa delas, em Paris, separou-se de Otto e, ao retornar para Moscou, encontrou aquela que seria a missão de sua vida: ajudar, no que fosse possível e impossível, na realização de uma revolução Comunista no Brasil.

Tudo começaria com a tarefa de trazer ao país, em segurança, Luis Carlos Prestes. Olga já tinha ouvido falar dele, o famoso latino-americano que havia percorrido 25 mil quilômetros a pé, enfrentando tropas regulares de um regime ditatorial. Depois de muitas aventuras, os dois chegaram ao país em 1934, já casados e logo foram morar no Rio de Janeiro.

O Partido Comunista do Brasil organizou a Aliança Nacional Libertadora, movimento que ganhou adeptos das classes desfavorecidas da sociedade da época. Seus ideais eram baseados na luta contra o fascismo, imperialismo, subdesenvolvimento e grandes latifúndios. Levavam em conta os interesses dos operários, comunistas, socialistas, liberais, cristãos e o grande número de militares que já tinham experiências de revoltas entre 1922 e 1924. Prestes e Olga, embora na clandestinidade, articularam um movimento que eclodiu como uma revolta armada nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro em novembro de 1935, conhecido como Intentona Comunista.

O levante foi derrotado pelo governo de Vargas, resultando na prisão de Prestes e de Olga, que estava grávida. Reclusa da Casa de Detenção da rua Frei Caneca, ela passou a receber a solidariedade de outros presos que reclamavam pela sua internação em uma casa de saúde, onde poderia receber os devidos tratamentos médicos, além, é claro, da ameaça terrível de sua expulsão do Brasil, para ser entregue ao nazismo.

Olga queria que seu filho nascesse no Brasil. Ela sabia que o bebê correria risco de vida na Alemanha, já que era judia e comunista. Quando soube que de fato seria deportada, contratou o advogado Heitor Lima, que três dias após a aceitação da defesa proposta por ela, entrou com pedido de habeas corpus, que foi negado.

O La Coruña, navio que seria encarregado de levar Olga, atracaria no cais do porto do Rio de Janeiro no dia 23 de setembro de 1936. Sabendo disso, Filinto Müller organizou toda uma estratégia para transporta-la ao navio.

Carlos Brandes foi até a Casa de Detenção e convidou Olga a sair do presídio com o pretexto de levá-la ao hospital. Sem poderem resistir, os presos aceitaram o acordo mas somente se junto a Olga fossem dois outros presos. Mas Olga sequer chegou a descer no hospital. Quando foi retirada da ambulância, ainda deitada na maca, ela pôde ver, rapidamente, entre os pingos de chuva, o nome La Coruña gravado no casco e uma bandeira com a suástica negra no mastro. Olga foi embarcada contra as leis da navegação, por estar grávida. Na manhã do dia 18 de outubro o navio atracou em Hamburgo e, pouco depois do meio-dia, Olga chegou a Berlim.

Na madrugada de 27 de novembro de 1936, nasceu Anita Leocádia e poucas semanas após o seu nascimento, Olga conseguiu enviar um requerimento à embaixada brasileira solicitando o registro da recém-nascida como cidadã brasileira.

O ofício da Cruz Vermelha transmitiu à avó o risco que a garotinha corria: assim que o leite da mãe secasse, ela seria entregue a um orfanato nazista. A solução seria Prestes assumir a paternidade e, logo que isto foi feito, Anita foi libertada da mão dos nazistas e entregue a sua avó.

No dia 23 de abril de 1942, como muitas mulheres judias, Olga Benário foi morta na câmaras de gás do Campo de Concentração de Bernburg.

Olga, embora nascida alemã, é uma grande heroína brasileira.

via > http://goo.gl/VZwYtU

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