““Se cada homem, em particular, fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós nascemos para seu uso, que não somos próprias senão para procriar e nutrir nossos filhos na infância, reger uma casa, servir, obedecer e aprazer aos nossos amos, isto é, a eles homens.”

Nísia Floresta Brasileira Augusta era o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nascida em Papari — hoje cidade Nísia Floresta — Rio Grande do Norte, em 12 de outubro de 1810. De origem burguesa, era filha do advogado Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa, português liberal e de personalidade progressista, casado com uma viúva brasileira. Como pertencente à elite nordestina, Nísia casou-se aos 13 anos de idade com o proprietário de terras Manuel Alexandre Seabra de Melo. Entretanto, sentia-se infeliz, e abandonou-lhe meses depois, retornando à casa de seus pais.

Nísia recebeu suas primeiras instruções na cidade de Goiânia, onde, desde o século XVII, havia um convento de carmelitas, e onde revelou grande aptidão para as letras e línguas estrangeiras. Seu primeiro livro, “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”, foi publicado quando tinha 22 anos, e já na companhia de Manuel Augusto de Faria Rocha, estudante de Direito da Faculdade de Olinda, com quem teve três filhos. No mesmo ano da publicação, muda-se com sua família para Porto Alegre – estudiosos afirmam que tal fato deveu-se às constantes ameaças que recebia de seu primeiro marido que, inconformado com o abandono, estaria disposto a processá-la por abandono de lar e adultério.

A escolha de seu pseudônimo revela suas qualidades excêntricas: Floresta, referindo-se ao sítio onde nascera; Brasileira, referindo-se à necessidade da afirmação de seu nacionalismo;

Nísia permaneceu em Porto Alegre até 1837, tendo mantido vínculos de amizade com os revolucionários Anita e Giussepe Garibaldi. Com a tensão da guerra, mudou-se para a Corte do Rio de Janeiro, onde atuou como educadora, e inaugurou o Colégio Augusto.

Como educadora, Nísia defendeu suas posições revolucionárias em obras e ensaios, enfatizando a temática feminina, e sendo considerada a primeira mulher a romper barreiras entre o público e o privado, em tempos em que a imprensa nacional engatinhava.

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