No Brasil atual, toda mulher que luta por seus objetivos, não se deixa intimidar, levanta a cabeça e busca a felicidade apesar de todas as dificuldades pode ser considerada uma guerreira. Mas, no Brasil colonial, ser uma mulher guerreira tinha um significado bem diferente.

Clara Felipa Camarão nasceu no começo do século XVII no Rio Grande do Norte, na aldeia Igapó. Acredita-se que ela fazia parte do povo tupi que residia na região.

Ela foi catequizada por jesuítas em sua tribo e foi companheira de Antonio Felipe Camarão, português de quem assumiu o nome. Seu nome de índia não é conhecido.

O grande destaque de Clara foi como guerreira. Ela deixou os hábitos domésticos típicos tanto para as tribos indígenas quanto para as mulheres portuguesas da época e lutou contra as invasões holandesas em Pernambuco – foi destemida o bastante para ficar à frente das linhas de batalha! Clara tentou defender as posições militares e a população também.

Enquanto muitas mulheres fugiam do local, levando seus filhos, Clara permaneceu no combate. Ela também foi líder de um pelotão formado só por mulheres, chamado de “Heroínas de Tejecupapo”.

O nome faz referência a um episódio muito marcante que aconteceu na aldeia de Tejecupapo, que tinha 200 habitantes. Os holandeses estavam sem comida em Olinda e tentaram invadir essa aldeia para encontrar alimento. Os homens de lá formaram uma barreira para impedir a entrada dos estrangeiros, e foram todos exterminados. Mas, quando os holandeses encontraram Clara e as mulheres de seu pelotão, não resistiram e foram todos mortos.

Clara andava à cavalo muito bem e sabia lidar com arco e flecha, com tacape e com lança. A heroína enfrentava, com esses instrumentos, seus inimigos que lutavam com espadas.

Por suas conquistas e sua bravura, Clara ganhou o título de Dona e do hábito de Cristo, concedido pelo rei Filipe IV a ela e a Antonio Camarão pelos serviços prestados à nação portuguesa. Sua personalidade corajosa foi inspiradora para muitas mulheres que a conheciam ou ouviram sua história.

(Texto escrito e enviado por Fernanda Lopes)

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