Bertha Pappenheim, nascida em 1859, de família de classe média judaica, é conhecida apenas por ser a famosa histérica Anna O., tratado por Breuer e depois por Freud, que a partir dele começa a criar a teoria psicanalítica.

E por que saber mais dela? Não são os grandes homens que referenciam as mulheres, as sombras que estão por trás deles? Ainda mais no século XIX…

Certamente, se ela fosse um homem, seria muito reconhecida em vida. Aos 29 anos, emergiu de seu inferno emocional e passou a lutar pelos direitos sociais, por igualdade civil e pelos direitos reprodutivos das mulheres alemãs. Escreveu livros e peças que tratavam de temas como pacifismo e feminismo. Mas a gente não lê nada do seu legado.

É considerada uma pioneira do Serviço Social, fazendo relatos importantes sobre tráfico e exploração sexual de mulheres e combatendo-os com grande coragem, além de ter criado a mais extensa rede existente de assistência social. Viajou o mundo dando conferências e encorajando os movimentos feministas.
É uma referência na comunidade judaica, ajudando a debater a questão feminina, pesquisando e fazendo o registro histórico de perseguições na Europa.

Foi pessoalmente responsável por resgatar pessoas de situações extremas, salvou vidas em situações desesperadas de abandono e opressão. Mas tudo o que sabemos dela são suas contrações e paralisias.

Já uma senhora idosa, reagiu com fúria à ditadura nazista: “Eu vou bradar passionalmente de novo e de novo para condenar toda injustiça!”. Intimada pela Gestapo, depôs cheia de indignação. Bertha Pappenheim morreu de câncer em 1936, antes que os nazistas pudessem se vingar.

Texto via Maria Helena Zamora

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