Poeta e professora, ela escandalizou a sociedade retrógrada da Paraíba com o seu vanguardismo: usava pintura, cabelos curtos, saía às ruas sozinha, fumava, não queria casar nem ter filhos, escrevia versos que causavam impacto na intelectualidade paraibana e escrevia para os jornais.

Anayde Beiriz nasceu em 1905, em João Pessoa. Diplomou-se pela Escola Normal em 1922, com apenas 17 anos, destacando-se como primeira aluna da turma. Além de normalista, era poeta e amante das artes. Logo que se formou, passou a lecionar na colônia de pescadores perto de sua cidade natal. Em 1925, ganhou um concurso de beleza. Circulava também nos meios intelectuais, onde declarava-se publicamente a favor da liberdade e da autonomia feminina.

A figura de Anayde Beiriz é pontual e coincide com a história de muitas mulheres que, tanto no passado quanto no presente, foram punidas e hostilizadas com justificativas em cima de padrões morais sexuais. Ela teve sua história protagonizada no filme “Parahyba, Mulher Macho”, da cineasta Tizuka Yamakazi, devido a sua resistência, atuação política e liberdade de amar enfrentando preconceitos e julgamentos. Seu nome está ligado à história por ter se envolvido com um homem conservador cujas ideias ela discordava. Esse homem era João Dantas, advogado e jornalista, candidato republicano de oposição a João Pessoa (vice de Getúlio Vargas, até então governador da Paraíba). Após o confronto conhecido como Revolta da Princesa (que deu origem ao território de Princesa), João Dantas se envolveu amorosamente com Anayde. Nessa disputa, a polícia invade a casa de João Dantas a mando de João Pessoa, em buscas de armas, mas ao revistar a residência e não encontrar nada, foram localizadas correspondências enviadas por Anayde, as quais foram amplamente divulgadas na imprensa, a fim de sujar a honra de Dantas. Posteriormente, João Dantas dispara um tiro e mata João Pessoa, em uma confeitaria no Recife. Como o fato causou grande impacto na população, Anayde teve de se refugiar. Dantas, após ser preso, também acabou sendo encontrado morto dentro da cela. No mesmo ano, desencadeia a Revolução de 1930, que mesmo com justificativas políticas, tem no plano de fundo essa trama machista, onde a mulher acaba por sofrer a pior punição, que é a morte social, seguida da morte física. Conforme é representado no filme citado acima, Anayde foi vítima do próprio caminho, já que após a perda do companheiro, ficou só e marginalizada, acabando por tomar veneno e morrendo sozinha em um abrigo em Recife – Pernambuco, sendo abandonada pela família e enterrada como indigente (LINS, 1983). Tizuka, diretora do filme sobre Anayde, que também foi recriminada e criticada pela escolha em contar a história da paraibana, fala sobre a personagem: “ela queria ser ela mesma. Escolheu o seu próprio caminho, enfrentou um mar de preconceitos, o excesso de uma falsa dignidade das chamadas questões de honra. Que honra é essa, que maltrata e mata as pessoas?” (LINS, 1983)

Ficou conhecida como a “Paraíba masculina, mulher-macho sim senhor”.

Fontes: Texto de Juciane Bigolin de Gregori
e http://www.bolsademulher.com/estilo/anayde-beiriz-paraiba-masculina

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