Maria do Carmo Moreira Serra Azul, conhecida como Cacau, nasceu em Fortaleza/CE, em 1951.

Iniciou sua militância aos treze anos de idade, na JEC – Juventude Estudantil Católica. Tais grupos vinculados a Igreja deram posteriormente origem a organização clandestina AP – Ação Popular, Grupo que Cacau, já sem vínculo com a igreja, junto com suas Irmãs Iracema e Helena, passou a fazer parte do movimento estudantil secundarista;
Em 1968, foi da diretoria dos estudantes secundaristas do Estado do Ceará – CESC. Neste mesmo ano, participou ativamente da revolta das saias, movimento de repúdio a diretora Adisia Sá que apresentava posturas fascistas e de perseguição dentro da escola. O movimento tomou as ruas da cidade, sendo considerado a maior revolta feminina da América Latina da Época.
Em 1970, foi detida e interrogada, passando por forte tortura psicológica, dentro da Escola Normal pela Polícia Federal devido a suspeita de ligação com o PCBR;
Em 1972, foi presa e brutalmente torturada pela equipe da OBAN: DOI-CODI comandada pelo Fleury por encontrar-se relacionada em uma “lista” do II Exército de São Paulo entre os procurados pelo Brasil na regional Nordeste. Pessoalmente torturada por Fleury, passou 15 dias sob torturas brutais: nas sucessivas sessões tiravam-lhe a roupa por completa e nua, era levada a uma sala lotada de homens, alguns que a torturavam fisicamente e outros que assistiam em gozo o massacre, dentre eles um médico que tinha a função de dizer até onde ela aguentava para que as sessões continuassem ou fossem adiadas para o dia seguinte, tendo tido três paradas cardíacas devido aos choques e afogamentos. Cacau teve que ser “ressuscitada” por três vezes pelo médico presente.
Teve seus seios desfigurados com alicates. Murros, enforcamentos e chutes eram os momentos mais brandos da tortura; ameaças de estupro eram constantes, um dos torturadores masturbava-se durante as sessões e ejaculava em seu corpo, enquanto os outros excitavam-se com a cena e a “pediam em namoro”. Colocavam cachorros ferozes sobre o seu corpo no chão, a levavam para outras salas para assistir outras cenas de torturas de seus amigos também presos. Seu companheiro José Machado Bezerra, foi torturado várias vezes em sua presença: “a sala fedia a urina e sangue”; suas irmãs e cunhados também foram presos e torturados, como também os sobrinhos (Manuel Carlos – nasceu na prisão sob tortura e lá permaneceu por 8 meses, Ernesto e Andréia foram sequestrados com menos de 5 anos de idade).

Depois de solta passou anos sendo perseguida, ameaçada de morte e impedida de terminar os estudos e de assumir concursos públicos.
Formou-se em Economia pela UFC, Ingressou na SEFAZ e Hoje continua viva e na luta.

Resistência pela história feminina! #emmemóriadelas

http://www.dhnet.org.br/memoria/mercia/juridica/declaracoes/18_iracemaserra.htm

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