Inês Etienne Romeu

Inês Etienne Romeu nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 1942.

 

Inês mudou-se ainda jovem para Belo Horizonte, onde estudou História e trabalhou como bancária no Banco de Minas Gerais. Já nessa época atuava fortemente à frente do Sindicato dos Bancários e do movimento estudantil.

Em 5 de maio de 1971, Inês, então integrante do quadro de comando da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, foi presa as 9:00 da manhã na Avenida Santo Amaro, zona sul da cidade de São Paulo.

Levada para o DEOPS, espancada e pendurada no pau-de-arara, para escapar das torturas inventou a seus captores que tinha um encontro com um guerriheiro em determinado local (“ponto”, no jargão da época) do bairro de Cascadura, no Rio de Janeiro. Transportada ao Rio de automóvel, ao chegar ao local tentou suicidar-se jogando-se na frente de um ônibus. Foi arrastada pelo ônibus mas não morreu.

Ferida, dali foi levada, após passagem pelo Hospital da Vila Militar – onde recebeu transfusão de sangue – pelo Hospital Carlos Chagas e pelo Hospital Central do Exército, para uma casa em Petrópolis, na Rua Artur Barbosa, 668, de propriedade do empresário Mário Lodders. Ali permaneceu até agosto do mesmo ano, sob tortura, espancamento, choques elétricos e estupros. No inverno de Petrópolis, onde a temperatura podia chegar a menos de 10ºC, era obrigada pelos carcereiros a deitar nua no cimento molhado e levou tantas bofetadas que seu rosto tornou-se irreconhecível. Durante esse período, a militante da VPR tentou por quatro vezes o suicídio, sendo mantida viva por médicos contratados pelos militares, a fim de que a tortura, os interrogatórios e as possíveis confissões sobre organização prosseguissem. A partir de certo momento, ela foi informada de que sua tortura não era mais para conseguir informação, pelo tempo decorrido desde sua prisão ela já era inútil como informante, mas era apenas por sadismo, por conta do ódio que seu principal torturador, o então capitão Freddie Perdigão Pereira, (codinome:”Dr. Roberto”) sentia dos guerrilheiros.

Em 7 de julho, depois de dois meses de tortura física e psicológica, sabendo-se condenada à morte pelos torturadores, aceitou a saída proposta por um deles, “Dr. Teixeira”, um oficial do exército não identificado, a de um honroso suicídio. Inês aceitou e pediu um revólver, mas seus captores preferiam que sua morte se desse em público, com ela se jogando na frente de um ônibus em alguma rua, como tinha feito quando foi capturada. Levada a uma avenida, ao invés de se atirar na frente de algum veículo ela se agachou e começou a gritar e chorar agarrada às pernas de um de seus captores, chamando a atenção dos passantes. Foi então rapidamente conduzida e volta à casa e voltou a ser torturada por duas semanas com choques elétricos, palmatórias e surras que desfiguraram seu rosto. Neste período foi obrigada a cozinhar nua sendo humilhada por seus carcereiros, e foi estuprada duas vezes por um deles, “Camarão”, um militar nordestino de baixa instrução que atuava como caseiro na Casa da Morte.

Foi no fim destas semanas que recebeu a proposta de tornar-se uma agente infiltrada da repressão nas organizações de guerrilha urbana, que aceitou para escapar dali. Para garantir que não seriam traídos, a fizeram assinar várias declarações acusando a própria irmã – que nao tinha militância política – de subversão e a gravar um videotape em que se dizia agente do governo e recebia pagamento por isso. Tudo seria usado contra Inês em caso de traição.

Foi jogada na casa de uma irmã, em Belo Horizonte, pesando apenas 32 quilos. Mas foi Inês quem, afinal, em 1979, denunciou a existência da Casa da Morte.

Em 2003, um novo e estranho fato marcou a vida de Inês. Aos 61 anos, foi encontrada caída e ensanguentada em seu apartamento, com traumatismo cranioencefálico por golpes múltiplos diversos, depois de receber a visita de um marceneiro contratado para um serviço doméstico, o que a fez passar por anos de recuperação. Última presa política a ser libertada no Brasil, em 2009 ela recebeu o Prêmio de Direitos Humanos, na categoria “Direito à Memória e à Verdade” pelo governo brasileiro.

Inês morreu dormindo em sua casa em Niterói, aos 72 anos, onde morava, em 27 de abril de 2015.

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