Aurora Maria Nascimento Furtado era ativa militante do movimento estudantil nos anos 1967–68, estudava psicologia na Universidade de São Paulo e colaborava na imprensa da União Nacional dos Estudantes (UNE), de São Paulo. Trabalhou como bancária na agência do Banco do Brasil, no bairro do Brás. Após a implantação do AI-5, passou a atuar politicamente na clandestinidade.

Durante uma batida policial realizada por uma patrulha do 2º Setor de Vigilância Norte, em 9 de novembro de 1972, em Parada de Lucas, no Rio de Janeiro, onde se encontrava num “fusca” com o companheiro de guerrilha Helbert José Gomes Goulart, resistiu à abordagem e após rápido tiroteio, acabou sendo presa, ferida por um tiro que lhe destroçou o joelho. Foi encaminhada à “Invernada de Olaria” – grande delegacia da polícia civil no subúrbio carioca ligada ao Esquadrão da Morte e hoje sede de um batalhão da PM – onde sofreu torturas no pau-de-arara, sessão de choques elétricos, somados a espancamentos, afogamentos e queimaduras. Aurora foi submetida ao suplício da “Coroa-de-cristo”, uma tira de aço com parafusos colocada em volta da cabeça que gradativamente apertada leva ao esmagamento do crânio fazendo os olhos saltarem para fora das órbitas.

No dia seguinte, o seu corpo foi encontrado crivado de balas na esquina das ruas Adriano com Magalhães Couto, no bairro do Méier (RJ), junto a um veículo VW, placa DH-4734, marcado de tiros. Segundo versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança, a militante teria morrido durante uma tentativa de fuga da guarnição da rádio-patrulha que a prendera.

O corpo de Aurora foi submetido à necrópsia no Instituto Médico Legal, pelos drs. Elias Freitas e Salim Raphael Balassiano, cujo laudo determinou como causa mortis “ferimentos penetrantes na cabeça”. As fotos que acompanharam o laudo de perícia do local, de nº 6507/72, mostraram marcas de tortura no corpo, aprofundamento do crânio e escoriações nos olhos, no nariz e boca, que não foram relatadas na necrópsia.

Através de advogados, a familia obteve nova necrópsia do IML, que constatou no corpo de Aurora, inúmeros sinais das torturas sofridas (queimaduras, cortes profundos, hematomas generalizados) com um afundamento no crânio de cerca de 2 cm, proveniente do emprego da “coroa de cristo”, a causadora da morte. Além disso, seu corpo ficou dilacerado, com afundamento do maxilar, um corte do umbigo à vagina, fratura externa num dos braços, sem bicos dos seios e um olho saltado.

FONTE: http://www.dhnet.org.br/dados/dossiers/dh/br/dossie64/br/dossmdp.pdf

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