Ana Rosa Kucinski Silva nasceu em São Paulo, no dia 12 de janeiro de 1942.

Integrante da ALN na clandestinidade, Ana era graduada em química e doutora em filosofia. Casada com Wilson Silva, também integrante da ALN, era uma das mais jovens professoras do Instituto de Química da Universidade de São Paulo – USP. Em 22 de abril de 1974, ela saiu do trabalho na universidade para encontrar-se com o marido para um almoço na Praça da República, no centro da cidade de São Paulo, em comemoração aos quatro anos de casamento. Os dois nunca mais foram vistos.

Em 12 de setembro de 1974, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Hugh Crimmins, precisou da ajuda e orientação do Departamento de Estado americano após receber uma carta do presidente do Congresso Mundial Judaico, Jacques Torczyer, pedindo a intervenção da diplomacia americana no caso Ana Rosa Kucinski. A resposta, protocolar, assinalava que, não sendo Ana cidadã americana, o governo de Washington D.C. nada podia fazer. Em 6 de fevereiro de 1975, respondendo a requerimento feito pelos familiares sobre o paradeiro dos desaparecidos políticos, o ministro da Justiça da época, Armando Falcão, publicou nota oficial a respeito, na qual os nomes de Ana Rosa e Wilson Silva são citados como “terroristas foragidos”.

As primeiras pistas sobre o destino do casal só começaram a vir a público décadas depois, com a redemocratização do país. Em 1993, o ex-cabo do exército José Rodrigues Gonçalves, numa entrevista à revista Veja que nunca foi publicada, declarou que Ana e seu marido foram presos pela equipe de um dos mais famosos agentes da repressão da época, o delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury, e entregues aos militares, que os levaram para a Casa da Morte, um centro clandestino de torturas e assassinatos dos exército na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, onde foram interrogados, torturados e executados. A passagem de Ana e seu marido pela Casa da Morte também viria a ser assinalada anos depois por outras fontes militares.

Em 2012, o ex-delegado e torturador confesso Cláudio Guerra, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros para o livro Memórias de uma Guerra Suja, afirmou que os corpos de Ana Kucinski e seu marido foram incinerados no forno da Usina Cambahyba, no Rio de Janeiro, junto com o de outros presos políticos assassinados. O corpo de Ana tinha “marcas de mordidas, talvez por ter sido abusada sexualmente” e o de Wilson “não tinha unhas na mão direita”.

Movimentos de direitos humanos reunidos no Fórum Aberto pela Democratização da USP, exigiram da direção da universidade a reversão e revogação da decisão resultante do processo instaurado pela Reitoria em 1975, que causou a “demissão” da professora por 13 votos favoráveis e dois votos em branco, por “abandono de função”, ignorando seu desaparecimento forçado. Nesta época, ela já havia sido sequestrada e assassinada há mais de um ano. Em abril de 2014, a demissão foi anulada por unanimidade pela Congregação do Instituto de Química da USP, sendo considerada um “equívoco” da época. A família de Ana também recebeu um pedido formal de desculpas da Congregação. Na mesma ocasião, foi anunciada a inauguração de um monumento em homenagem a Ana nos jardins do Instituto de Química da universidade.

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