Um levantamento da World Press Photo* revelou que apenas 15% dos fotógrafos atuantes no mundo são mulheres.
Apesar de minoria no mundo das câmeras, no entanto, elas sempre tiveram uma presença marcante na História da Fotografia.
Talentosas, fazem do seu ofício um substantivo feminino. Conheça aqui quatro profissionais que fizeram imagens in-crí-veis:

Berenice Abbott

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Nascida em Springfield, estado de Ohio em 1898. Quando adolescente mudou-se para Nova Iorque onde se juntou a uma das trupes de teatro mais modernas da cidade, o Provincetown Players. Logo veio a se tornar mais uma entre os moradores do Greenwich Village, bairro este adotado por muitos artistas da época.

Em 1921 como muitos outros artistas que viviam no Village, Berenice Abbott mudou-se para Paris com a intenção de começar uma vida nova e estudar escultura. Em Paris realmente começou uma vida nova sendo assistente de Man Ray, que também fora morador do Village que lhe ensinou tudo sobre fotografia. Logo Berenice Abbott se revelou uma grande retratista sendo cada vez mais solicitada por boa parte da intelectualidade francesa da época.

Em Paris conheceu uma de suas maiores influencias fotograficas, o fotografo francês Eugene Atget que por vinte anos produziu oito mil fotos que registraram a cultura, arquitetura e monumentos da capital Francesa.

Inspirada pelo trabalho realizado por Eugene Atget, Berenice Abbott voltou os Estados Unidos da América e fez algo semelhante ao que ele fez em Paris, só que em Nova Iorque. Daí nascia o seu trabalho intitulado ”Changing New York”, onde ela mostra a cidade velha dando lugar a modernidade dos arranha-céus, vias expressas e pontes de metal que modificavam gradativamente a paisagem urbana.

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Mas o verdadeiro avanço na arte de fotografia foram suas experiências em fotografia científica: ela foi uma das primeiras a fazer fotografias artísticas de fenômenos físicos e químicos.

Abbott começou a trabalhar, e durante mais de dois anos registrou minuciosamente o movimento ondulatório e outros fenômenos físicos. Não existiam tecnologias para realizar filmagens desse tipo, e por isso ela teve que desenvolver equipamentos especiais para fotografar fenômenos físicos

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Berenice foi a primeira mulher a ser admitida na Academia Americana de Artes e Letras.

No fim de sua vida contraiu um enfisema pulmonar que foi fruto de muitos anos respirando produtos químicos para revelar filmes e fotografando Nova Iorque do alto de seus arranha-céus ao relento.

Berenice Abbott morreu em 1991 com 93 anos.

Diana Arbus

 

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Nascida em Nova Iorque, 14 de março de 1923, foi uma fotógrafa e escritora norte-americana, conhecida pelas suas fotografias quadradas em preto-e-branco de pessoas comuns e de pessoas marginalizadas em suas vidas cotidianas.

Seu interesse por fotografia surgiu no início da vida adulta, ao lado de seu marido, com o qual começou uma agência de fotografia profissional cujos trabalhos estamparam diversas edições de de moda da época, as quais interessavam-se pela abordagem crua do casal.

Diane Arbus foi a segunda dos três filhos de uma rica família judaica de Nova York. Cresceu com pouco contato com a parte da família de lado paterno, de pobres imigrantes, tendo sido a de lado materno parte integral de sua vida familiar e ajudado seus pais a enriquecerem através da loja de peles Russeks.

Estudou, como seus irmãos, na Ethical Culture School e Fieldston School, em Manhattan. Mais tarde disse que a riqueza da sua infância “tinha algo de surreal, que nos confinava a todos. Tudo que conseguia sentir era a minha própria surrealidade” – via grande parte da sua carreira posterior como uma “busca por essa realidade à qual não teve contato”.

Em 1941, ao completar dezoito anos e tornar-se legalmente independente, casou-se com Allan, o que não deu outra alternativa para seus pais a não ser aceitar o casamento. Em 1969, divorciou-se legalmente de Allan, mesmo que antes a relação já tenha acabado, da qual resultou dois filhos, Doon e Amy.

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Em 1968 foi hospitalizada por conta de uma hepatite e escreveu “Eu explodo e acalmo-me muitas vezes”.

Em 26 de julho de 1971, aos 48 anos de idade, vivendo na Westbeth Artists Communit, em Nova York, Arbus suicidou-se ingerindo barbitúrico e cortando os pulsos com uma navalha. Seu corpo foi descoberto pelo seu antigo mentor e amigo Marvin Israel dois dias depois dentro de sua banheira.

Sua obra tornou-se cada vez mais popular e foi a primeira norte-americana a ter fotografias expostas na Bienal de Veneza.

Vivian Maier

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Nascida no dia 1 de fevereiro de 1926, em Nova Iorque, Maier passou a sua infância na França e após voltar para os Estados Unidos, trabalhou como babá por mais de 40 anos e durante este período, em seus dias de folga, fotografou a cidade de Nova Iorque, focando nas ruas, nas pessoas e nos edifícios, sempre com a sua câmera Rolleiflex. Foram mais de 150 mil fotografias mostrando as pessoas e a arquitetura da sua cidade natal, além de Los Angeles e Chicago entre as décadas de 1950 e 1960. Vivian também fez viagens internacionais, como para Manila, Bangkok, Pequim, Egito, Itália, sempre registrando, fotograficamente, as ruas das cidades.

Apesar estar responsável por crianças a tempo inteiro, Vivian nos seus tempos livres captava a sua visão do ambiente urbano da cidade de Nova Iorque através dos seus registos fotográficos. Contudo estas fotografias eram guardadas, pois mais ninguém sabia da sua existência, deixando assim um trabalho de aproximadamente 100.000 fotografias.

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Vivian viveu uma velhice com dificuldades financeiras, chegando a morar em asilos pagos pelo previdência, até que alguns amigos compraram um apartamento em Chicago e passaram a pagar as suas contas. Entre estes amigos, estavam várias pessoas que Vivian cuidou quando babá. Em 2009, Viviam faleceu em decorrência de lesões decorrentes de um tombo em que bateu a cabeça.

 

March 10, 1954, Chicago, IL

 

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Por toda a sua vida, guardou as fotografias, os negativos e fitas de áudio com pequenas entrevistas que fazia com as pessoas que fotografava. Este material só foi descoberto em 2007, por John Maloof, que reconheceu o valor artístico e histórico do material, mas foi somente após a sua morte que houve o reconhecimento do seu trabalho e o material começou a ser reproduzido na internet e em revistas especializadas, além da publicação de livros com o seu acervo e exposições.

Lee Miller

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Nascida em 23 de Abril de 1907, em Poughkeepsie, Nova Iorque. Quando criança foi estuprada e contraiu gonorreia. Miller começou a carreira como modelo, envolveu-se com o movimento surrealista e foi correspondente da Vogue inglesa durante a Segunda Guerra Mundial. A experiência de registrar os campos de concentração de Buchenwald e Dachau a deixaram traumatizada, causando sucessivas ondas de depressão e alcoolismo.

Lee Miller e Picasso

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Faleceu aos 70 anos, vítima de câncer, na fazenda em Sussex, Inglaterra, onde vivia com o segundo marido, o artista surrealista Roland Penrose, e seu único filho. A fazenda é hoje a sede dos arquivos Lee Miller. As imagens podem ser acessadas online em leemiller.co.uk

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Uma das fotos icônicas da vida de Lee Miller a tem como modelo. A imagem foi feita no final da 2ª Guerra pelo fotógrafo David Scherman, da Life. Trata-se de um dos banhos mais memoráveis da história: Lee Miller na banheira de Adolfo Hitler, na casa do ditador em Munique. A data é simbólica: 30 de abril de 1945, dia do suicídio do lider nazista.

 

*Estudo realizado em parceria com as Universidades de Stirling e Oxford, com o Instituto Reuters

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