A Revolução Francesa foi um marco na história que influenciou o mundo todo com seus ideais.

Em de 1788, quando a a Assembléia dos Três Estados, que culminaria na Revolução Francesa, foi convocada, Olympe de Gouges, aos quarenta anos, faz-se presente. Mas logo percebeu que a égalité (direitos iguais) da Revolução não incluía as mulheres no que se refere à igualdade de direitos. Pois até mesmo os líderes revolucionários, seguiam as mesmas opiniões dos contra-revolucionários, defendiam a manutenção do papel social da mulher. Agiam contra os próprios ideais libertários da Revolução e lutavam para que as mulheres “permanecessem em seu lugar”: o ambiente doméstico e a vida privada.

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A Revolução Francesa teve uma forte manifestação política feminina. Um grupo de 7 mil mulheres do povo marchou 14 quilômetros de Paris a Versalhes, sob chuva, para protestar contra a escassez de pão, gritando: “Vamos buscar o padeiro (o rei), a padeira (a rainha) e o padeirinho (o príncipe delfim)”. A Marcha das Mulheres alcançou o objetivo de trazer o rei Luís XVI e sua família para Paris.

Em 1792, quando a França declarou guerra à Áustria, voluntárias se alistaram no Exército para lutar ao lado dos homens contra as forças da coalizão austro-prussiana que ameaçavam invadir o país. Muitas se apresentaram com identidades falsas e disfarçadas de homem.

Não fiz a guerra como mulher, fiz a guerra como um bravo”. Declarou Marie – Henriette Xaintrailles em carta ao Imperador Napoleão Bonaparte, (1768 – 1821).

Não se conhece o número exato de mulheres-soldados durante o período revolucionário francês (1789-1799).

Elisabeth Badinter afirma que:

As mulheres tentaram fazer-se ouvir durante a Revolução. Algumas através da pena ou da palavra, e a maioria com seus gritos nas tribunas da Assembleia e das sociedades populares, ou com suas manifestações nas ruas. […] Dois tipos de mulheres chamaram a atenção. Umas anônimas são as mulheres do povo: operarias de tecidos (lavadeiras, fiadeiras…), lojistas, feirantes. São elas as primeiras a reagirem ao período de miséria, e a tomar frente dos motins da fome. […] Mas a revolução teve outras atrizes: um número pequeno de mulheres […] Mulher de letras que mal sabiam escrever como Olympe de Gouges ; […] mulheres oriundas da pequena burguesia, se interessavam pela politica, assistiam as sessões das sociedades populares, e fundaram elas mesmas, em Paris e na província, clubes femininos.( BADINTER, 1989, P.9).

O principal clube feminino da revolução foi fundado em 1793, por Claire Lacombe e Pauline Léon: a Associação das Republicanas Revolucionárias, que reivindicavam o porte de armas para defender a pátria dos inimigos internos (um direito exclusivo dos homens). Em outubro de 1793, todos os clubes foram fechados e Pauline Léon passou seis meses na prisão.

Em 1789, a população da França era a maior do mundo, e era dividida em três estados: clero (1º estado) composto por: alto clero (bispos, abades e cônicos) e baixo clero (sacerdotes pobres), nobreza (2º estado): Nobreza cortesã (moradores do Palácio de Versalhes), Nobreza provincial (grupo empobrecido que vivia no interior) e Nobreza de Toga (burgueses ricos que compravam títulos de nobreza e cargos políticos e administrativos)  e povo (3º estado): Camponeses, Grande burguesia (banqueiros, grandes empresários e comerciantes), Média burguesia (profissionais liberais), Pequena burguesia (artesãos e comerciantes) e Sans-culottes (aprendizes de ofícios, assalariados, desempregados) e tinham este nome porque não usavam os calções curtos com meias típicos da nobreza.

O clero e a nobreza não pagavam impostos, recebiam pensões do estado e podiam exercer cargos públicos.

O povo tinha que arcar com todas as despesas do 1º e 2º estado. Com o passar do tempo e influenciados pelos ideais do Iluminismo, o 3º estado começou a se revoltar e a lutar pela igualdade de todos perante a lei. Pretendiam combater, dentre outras coisas, o absolutismo monárquico (A França era um país absolutista nesta época. O rei governava com poderes absolutos, controlando a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súditos.  Não havia democracia, pois os trabalhadores não votavam, nem mesmo davam opiniões na forma de governo) e nos privilégios da nobreza e do clero.

O lema dos revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade “, pois ele resumia muito bem os desejos do terceiro estado francês.

Durante o processo revolucionário, grande parte da nobreza deixou a França, porém a família real foi capturada enquanto tentava fugir do país. Presos, os integrantes da monarquia, entre eles o rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta foram guilhotinados em 1793. O clero também não saiu impune, pois os bens da Igreja foram confiscados durante a revolução.

No mês de  agosto de 1789, a Assembleia Constituinte cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Um documento que trazia significativos avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior participação política para o povo.

A situação social era grave e o nível de insatisfação grande, o objetivo então era tomar o poder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Luis XVI. O primeiro alvo foi a Bastilha. A Queda da Bastilha em 14/07/1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão política era o símbolo da monarquia francesa.

Após a revolução, os partidos começam a se desenvolver com opiniões diversificadas.  Os girondinos, por exemplo, representavam a alta burguesia e queriam evitar uma participação maior dos trabalhadores urbanos e rurais na política. Por outro lado, os jacobinos representavam a baixa burguesia e defendiam uma maior participação popular no governo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, os jacobinos eram radicais e defendiam também profundas mudanças na sociedade que beneficiassem os mais pobres.

E aí que entra uma revolucionária na revolução, em tempos que o termo “feminista” nem existia, ela já o fazia. Marie Gouze, nascida em 7 de maio de 1748, na cidade de Montauban. Filha de uma família modesta, seu pai era açougueiro e sua mãe, lavadeira. Entretanto, ela acreditava ser filha legítima de Jean Jacques Lefranc; a rejeição no reconhecimento dessa paternidade influenciou sua defesa apaixonada  pelos direitos das crianças ilegítimas. Casou-se aos 16 anos, não demorou muito e teve seu primeiro filho, ficando viúva logo em seguida.

Se negando ao incorporar o papel de viúva e a novos casamentos, ela foi para Paris a procura de sua liberdade, adotando o pseudônimo de Olympe des Gouges. Em 1774, escreveu uma peça de teatro anti-escravagista “L’Esclavage des Nègres”. Pelo fato de ser sido escrito por uma mulher e do assunto controverso, a obra somente foi publicada em 1789, no início da Revolução Francesa. Em torno de 1784 começou a escrever ensaios, manifestos e iniciou ações de cunho social, abordando temas como como a emancipação das mulheres, a instituição do divórcio, e a criação de um teatro para a dramaturgia feminina.

 Em 1791 ela ingressou no Cercle Social— uma associação cujo objetivo principal era a luta pela igualdade dos direitos políticos e legais para as mulheres. Reunia-se na casa de outra defensora dos direitos das mulheres, Sophie de Condorcet.

No mesmo ano, em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, ela escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, convidando as mulheres à ação – “Ó, mulheres! Mulheres, quando deixareis vós de ser cegas”, defende que as mulheres têm o direito de revelar a identidade dos pais de seus filhos e que filhos ilegítimos tivessem os mesmos direitos dos legítimos (provavelmente influenciada por sua própria história). Dedicada à Maria Antonieta, Olympe não consegue entregar sua declaração à rainha e nem tê-la aprovada pela Assembleia Nacional, conseguindo simpatia somente pela causa do divórcio – que beneficiaria igual e diretamente os homens. Logo depois, escreveu o Contrato Social, nome inspirado na famosa obra de Jean-Jacques Rousseau, propondo o casamento com relações de igualdade entre os parceiros.

Ela se envolvia ativamente nas questões que lhes pareciam injustas, como a condenação à morte de Luis XVI, por ser contra a pena de morte, e desapontada em suas expectativas, passou a escrever mais.

Por sua associação com os girondinos e seu panfleto As três urnas ou o bem-estar da pátria, que nem mesmo chegou a ser publicado, Olympe foi acusada de propaganda monarquista, sendo presa e condenada à morte. Foi guilhotinada em 3 de novembro de 1793 e enquanto se dirigia ao cadafalso, Olympe teria afirmado: “A mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna.”

Théroigne de Méricourt

E assim como Olympe foi condenada a morte por suas atitudes subversivas, A baronesa holandesa Etta Palm d’Aelders (1743-1799) teve que fugir para Holanda, pois fazia discursos em defesa dos direitos políticos da mulher, da educação feminina e do divórcio. Théroigne de Méricourt (1762-1817) declarava que as mulheres se armariam para mostrar aos homens que não tinham menos coragem que eles e por isso foi pronunciada louca em 1794, sendo foi internada num hospício feminino até a morte.

A Revolução Francesa deixou marcas pelo mundo todo, mas a luta feminina inserida nesse contexto é sempre apagada dos livros didáticos.

É importante que façamos uma releitura da história, mostrando o protagonismo feminismo, observando que a tentativa de calar politicamente e socialmente as mulheres é algo mantido até hoje por uma estrutura machista e patriarcal.

FONTES:

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/revolucao-saias-588690.shtml

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/revolucao-francesa-e-feminina

http://www.historia.uff.br/nec/olympe-de-gouges-mulheres-e-revolucao

Um dos meus sonhos sempre foi ser professora de História e essa seria uma das minhas aulas. Toda crítica, comentário e sugestão serão construtivos. Afinal, não tenho experiencia nenhuma com planejamento de aulas, ou como Ser Professor. Gracias!

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