A física italiana Fabiola Gianotti se tornou na última sexta-feira (01/01) a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora geral do CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), o maior laboratório de física do mundo, desde a fundação da organização em 1954 em Genebra, na Suíça.

Gianotti liderou a equipe de mais de três mil pessoas do “Experimento Atlas”, que levou à descoberta do Bóson de Higgs, ou “partícula de Deus”, em julho de 2012. O acelerador de partículas LHC (Grande Colisor de Hádrons, na sigla em inglês), considerada a maior máquina já construída e situado dentro de um túnel de 27 quilômetros na fronteira entre a Suíça e a França, foi a outra grande estrela da descoberta do Bóson de Higgs, e acaba de completar seu segundo ciclo de operações.

Em entrevista à AP, Gianotti afirmou que o CERN é uma “comunidade democrática onde não existem barreiras”: “O CERN é um lugar especial onde nós fazemos pesquisas unindo especialistas do mundo todo – grandes cientistas – mas também uma enorme quantidade de pessoas jovens”, declarou.

Questionada sobre discriminação às mulheres no meio científico, Gianotti afirmou nunca ter vivido isso pessoalmente, mas destacou já tê-la testemunhado na vivência de suas colegas. “Nunca senti ter sido tratada de maneira diferente por ser mulher. Mas devo dizer que algumas de minhas colegas tiveram uma vida mais difícil. Algumas sofreram um pouco e tiveram que enfrentar obstáculos e dificuldades”, declarou.

 

Ela diz que seu mandato à frente do CERN terá quatro pilares: “a pesquisa de base, o desenvolvimento tecnológico, a formação de jovens e a manutenção do papel de facilitador da paz que o centro sempre teve, ao unir cientistas de diversos países.”

“Estou muito honrada por este cargo, não porque eu sou mulher, mas porque eu sou uma cientista e ter a honra e o privilégio de liderar talvez o mais importante laboratório do mundo em nosso campo é um grande desafio”, disse Gianotti. “Eu vou fazer o meu melhor.”

Seu mandato como diretora geral da instituição se iniciou no dia 01 de janeiro de 2016 e deve durar cinco anos. Ela substituiu o físico alemão Rolf Heuer, que dirigiu o CERN entre 2009 e 2015.

 

Via: Opera Mundi

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