Para além de “musas do skate” ou “as mais belas do surf” e toda essa objetificação do corpo feminino, as mina romperam com aquele estereótipo – que em pleno 2015 ainda resiste em certas mentes – de que surf e skate era ‘’coisa de menino’’.  

As mulheres ficaram reféns de regras morais e familiares durante anos, mas como toda regra tem sua exceção,  as subversivas, rebeldes, ‘bruxas’ e ‘loucas’, romperam com toda a cagação-de-regra e disseram: “Queridos papai e mãe, brincar de boneca? Hoje não!

 

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A primeira vez que uma mina surfou foi em 1914, a corajosa Isabel Letham, que também foi à primeira australiana a surfar com uma prancha, até então a galera só surfava de bodyboarding, sem ficar em pé. Isabel seguiu sendo instrutora e foi a responsável por introduzir o nado sincronizado na mentalidade esportiva australiana.

22 anos depois, Margot Rittscher, rompe com a família-tradicional-brasileira e se entrega pro mar com uma “tábua havaiana”, no litoral de Santos, se tornando a pioneira do surf feminino no Brasil, em 1936.

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Das representantes contemporâneas, temos Maya Gabeira, conhecida no mundo inteiro como a melhor surfista de ondas grandes. Em 2012, a carioca se consagrou pentacampeã (2007/2008/2009/2010/2012) na categoria “melhor performance feminina do Billabong XXL Awards – principal premiação do surfe em ondas gigantes. Em 2008, tornou-se a primeira mulher a surfar no Mar do Alasca.

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E hoje, 79 anos depois que a primeira mina brasileira surfou, segundo a Associação Brasileira de Surf Profissional, o número de homens que surfam profissionalmente no país (cerca de 350) é mais de dez vezes maior do que o de mulheres (32). E não preciso nem falar dos dados sobre patrocinadores, né? As Wahines (nome dado às mulheres surfistas) resistem!

E quem diria que só em 2010, o Irã teria a primeira mina surfista? Easkey Britton, rompendo com os preconceitos de um país opressivo e violento, abriu a primeira escola de surf e seguiu inspirando as iranianas.

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Já no esporte-muito-radical-para-meninas, foi em 1965 que aos 19 anos, Patti McGee se tornou a primeira skatista profissional, deixando todo mundo babando com suas manobras.

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Ellen O’Neal também marcou o surgimento do skate feminino, sendo responsável pelas primeiras imagens do skate em programas tradicionais da televisão, após participar do famoso seriado “Mulher Maravilha”.

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No Brasil, a cena feminina demorou um pouco mais para se formar, até que em 95, foi criado o primeiro campeonato feminino, chamado Check it Out Girls. Podemos destacar alguns nomes, como Giuliana Ricomini, Patiane Freitas, Mônica Messias e outras na fundação e criação em 2002 da ABSF (Associação Brasileira de Skate Feminino).

A Nº 1 do mundo no street é brasileira, Leticia Bufoni e hoje, uma das maiores representantes da cena é a paulista Karen Jonz.

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Milhares de minas espalhadas por esse Brasil dão seus roles de skate com azamiga. Mas, assim como no surf e nos outros esportes, sofrem com a famigerada DESIGUALDADE DE GÊNERO, consequência de uma sociedade extremamente machista. E só por serem mulheres, são desestimuladas e minimizadas. Sem patrocinadores, espaço e oportunidade, as minas lutam para permanecer na cena, mostrando que lugar de mulher é onde ela quiser.

Você sempre quis tocar
Você sempre quis andar de skate
Você que sempre quis, quis, quis
Você não é um enfeite
Punk Rock não é só pro seu namorado

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