Maria das Dores Pereira da Silva

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Até hoje é muito difícil ver mulheres em cargos importantes dentro de suas religiões. Pensa: ainda não existem muitas mulheres liderando e exercendo posições de destaque no catolicismo, no judaísmo, no islamismo… Mas, no budismo, existiu uma mulher que desafiou essa situação e se tornou uma grande referência no Brasil.

 

Maria das Dores Pereira da Silva nasceu em 1906 no Rio de Janeiro capital. Ela era de uma família tradicional carioca, e já foi ousada e diferente para a época ao estudar e se formar em medicina e em direito. Ainda assim, decidiu dar um rumo completamente diferente em sua vida.

 

Depois de se dedicar por quase 40 anos à prática e à divulgação do budismo, ela se tornou, aos 63 anos, a primeira monja budista brasileira.  Durante uma cerimônia em São Paulo, Maria das Dores adotou o nome Tenko Shuei-Ni, raspou os cabelos e vestiu os trajes típicos dos monges. Esse ritual representou o desprendimento dela da materialidade do mundo.

 

Antes de ser ordenada monja, Tenko fez uma grande viagem pelos três lugares sagrados para o budismo: Lumbini, no Nepal, onde Buda nasceu; Boddy-Gaia, onde Buda recebeu iluminação; e o Sarnath, na Índia, onde Buda fez seu primeiro sermão e revelou as quatro verdades do budismo. São elas o sofrimento, a causa do sofrimento, a supressão do sofrimento e os meios para sua eliminação. Tenko recebeu do próprio Dalai Lama, no Himalaia, o Buda de Ouro da Eterna Vida.

 

Após a ordenação, Tenko passou a viver no Templo, em São Paulo, e a receber visitas e explicar o budismo para os interessados. A vida em um templo budista é de reclusão, e os monges não têm o objetivo de evangelizar as pessoas. Eles devem, no entanto, estar sempre presentes e dispostos a esclarecer a mente de quem os procurar para saber mais sobre o budismo.

 

A data da morte dela nunca foi oficialmente divulgada, mas acredita-se que tenha ocorrido no fim da década de 1970. Tenko pregava as palavras compaixão, amor, paz e equilíbrio para quem a procurava em busca de iluminação.

 

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Esse texto foi uma contribuição de Fernanda Lopes. Quer contribuir com textos e temas? Envie para: mulheresnahistoria@hotmail.com

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