A arte negra é uma resistência ao sistema hegemônico da arte.

Rosana Paulino, paulistana da Freguesia do Ó, é artista plástica com especialização em gravura pela London Print Studio, em Londres e doutora em Artes Plásticas pela ECA/USP. Já participou de diversas exposições no Brasil, assim como nos EUA, Chile, Bélgica, Holanda, Portugal e Espanha.

O racismo estrutural do Brasil, os resquícios da escravidão que ainda se fazem presentes, os padrões de beleza feminino e, sobretudo, a condição da mulher negra na sociedade são temas fortes da Arte de Rosana, que combina questões de gênero e de etnia de maneira explicita, mostrando o o machismo e o racismo que oprime milhões de mulheres no brasil.

”Olhos e bocas aparecem costurados grosseiramente como símbolo da violência às mulheres, o segredo guardado dentro do universo doméstico: os olhos que não podem ver, a boca que não falar, gritar. Assim, através da costura que esteve presente em sua vida desde cedo por ter aprendido a costurar com a mãe, a artista faz da trama um elemento questionador e ao mesmo tempo criador de novos sentidos, remetendo muitas vezes a violência e a opressão, como no trabalho Bastidores, 1997.”

bastidores

Outras obras de Rosana:

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Proteção Extrema Contra a Dor e o Sofrimento, 2011, grafite e aquarela sobre papel, 42,5×32,5 cm (Foto: Divulgação)
Soldado, 2006, terracota, tecido e materiais diversos, 36x15x9,5 cm (Foto: Divulgação)
Desenho da Série Ama de Leite, 2005, acrílica e grafite sobre papel, 32,5×25 cm (Foto: Divulgação)
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Assentamento, 2013 (Foto: Divulgação)
Ama de Leite n. 1, 2005, terracota, plástico e tecido, 32×17,5×8,2 cm  (Foto: Divulgação)
Ama de Leite n. 1, 2005, terracota, plástico e tecido, 32×17,5×8,2 cm (Foto: Divulgação)

Sobre a série “bastidores”, Rosana Paulino diz: “no meu caso, tocaram-me sempre as questões referentes à minha condição de mulher e negra. Olhar no espelho e me localizar em um mundo que muitas vezes se mostra preconceituoso e hostil é um desafio diário. Aceitar as regras impostas por um padrão de beleza ou de comportamento que traz muito de preconceito, velado ou não, ou discutir esses padrões, eis a questão. Dentro desse pensar, faz parte do meu fazer artístico apropriar-me de objetos do cotidiano ou elementos pouco valorizados para produzir meus trabalhos. Objetos banais, sem importância. Utilizar-me de objetos do domínio quase exclusivo das mulheres. Utilizar-me de tecidos e linhas. Linhas que modificam o sentido, costurando novos significados, transformando um objeto banal, ridículo, alterando-o, tornando-o um elemento de violência, de repressão. O fio que torce, puxa, modifica o formato do rosto, produzindo bocas que não gritam, dando nós na garganta. Olhos costurados, fechados para o mundo e, principalmente, para sua condição no mundo.”

A arte de Rosana da voz à luta pela emancipação da mulher negra. A arte como um grito de revolta contra esse sistema de opressão.

Por: Bia Varanis

Bibliografia:

http://www.esquerdadiario.com.br/Rosana-Paulino-a-mulher-negra-na-arte

http://www.afreaka.com.br/notas/tramas-de-rosana-paulino/

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