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Meg Crane – Uma mulher em prol da libertação feminina.

Margaret Crane era uma designer freelance que trabalhava no departamento de publicidade de uma empresa farmacêutica. Deveria desenhar a campanha de uma linha de cosméticos, mas tubos de vidro enfileirados com um refletor-espelho chamaram sua atenção: eram testes de gravidez laboratoriais, comuns nos anos 1960. Os resultados sairiam em semanas.

Mesmo não tendo formação na área, pediu ajuda de um dos químicos sobre o processo do teste: um reagente, em contato com o hormônio da gestação, gonadotrofina coriônica humana, produzia um círculo roxo na base da proveta, refletido pelo espelho na confirmação da gravidez. Margaret percebeu imediatamente o quão prático seria se as mulheres pudessem realizar o simples teste em casa, intimamente, sendo as primeiras a saberem sobre sua própria gravidez. Numa época em que os exames laboratoriais eram caros e expostos, além de demorados, a ideia de Margaret Crane era de transformar um processo complexo em algo simples, barato e íntimo.

As resistências, no entanto, vieram em avalanche. Iniciando por seus chefes, que não apoiaram a ideia, e quase riram dela. Acreditavam que a invenção não seria confortável para a indústria farmacêutica, que lucrava com os testes em laboratórios. Ainda, a sociedade conservadora aboliu a ideia, associando a nova tecnologia a uma quebra da moral, incitando inclusive que o produto fosse vinculado ao aborto.

Ao chegar em casa, convicta da ideia, uma caixinha de clips foi a inspiração de design para o protótipo do “Predictor”, primeiro teste de gravidez a ser realizado em casa. A caixa conteria o fundo espelhado, o reagente químico e um conta gotas. Margaret Crane estava colocando na mão das mulheres o conhecimento e a libertação sobre si próprias.

Predictor
Protótipo do primeiro Predictor, da década de 1960.

Descreditada nos Estados Unidos, só teve sua ideia aceita na sede da empresa na Holanda, que registrou a patente do produto em 1969. Margaret Crane cedeu aos direitos do predictor à empresa por apenas 1 dólar. Falta de visão comercial? Na verdade não. Em entrevista, Margaret deixa claro que sua preocupação foi em tornar o produto acessível às mulheres, e queria que sua ideia fosse adiante. A patente custava milhares de dólares, dinheiro que ela jamais poderia pagar na época. Sua invenção não foi um barril lucrativo. Foi uma libertação social, em suas palavras, “o início de sua vida em diversos sentidos”.

O protótipo de Crane foi leiloado em junho deste ano por 12 mil dólares para o Museu Nacional de História Americana, na divisão de ciência e medicina. E hoje milhares de mulheres ao redor do mundo tem mais conhecimento e poder sobre sua saúde, seu corpo e sua vida.

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