Na década de 1920, a dinamarquesa Lili Elbe convivia com dois seres dentro de si: um pintor de paisagens, relativamente conhecido, casado e capaz de “suportar grandes tempestades; e uma mulher, descrita como “volúvel, de mente superficial”, incapaz de conversas com homens poderosos.

A diferença entre esses dois seres é que Einar Magnus Wegener, o pintor, era o cidadão que tinha certidão de nascimento, passaporte e corpo – masculino, que convivia num círculo social, enquanto Lili Elbe, a volúvel senhora, era a personalidade feminina transsexual que despontava em Einar, cada dia mais autônoma, e colocava-o colocava em confusão contra si mesmo.

Einar e Lily - Uma transição na década de 1920.
Einar e Lily – Uma transição na década de 1920.

Einar (1882-1931) era casado com Gerda Gottlieb, uma famosa ilustradora, também dinamarquesa, que desenhava para a Vogue e a La Vie Parisienne. Quando uma modelo de Gerda faltou ao estúdio, seu esposo acabou por vestir as roupas que seriam usadas no trabalho artístico, e um sentimento novo e avassalador percorreu Einar: “não posso negar, por mais estranho que pareça, que gosto de mim nesse disfarce. Gostei da sensação suave desta roupa feminina. Me sinto em casa.”.

A partir dessa experiência, Lily – seu nome feminino – surgiu num primeiro momento nos eventos sociais, acompanhando

Ilustração de Lily e Gerda,  por Gerda Gottlieb.
Ilustração de Lily e Gerda, por Gerda Gottlieb.

Gerda como a “irmã” de Einar. A confusão de sentimentos e compreensão de si própria assaltou tanto Lily quanto sua esposa, que mesmo assim a apoiou a sua transição sexual completa. Gerda teve grande responsabilidade no suporte emocional e encorajamento de Lily, e ambas mudaram para Paris quando seu casamento começou a sofrer os abalos sociais da transformação de Lily. Permaneceram unidas por mais de uma década e meia- ainda que não casadas.

Entre 1930 e 1931, Lily passou por diversos procedimentos cirúrgicos que alterassem sua genitália masculina, o que há época funcionava a título de experiência, e adquiriu reconhecimento legal para mudar seu nome e ter tratamento social como mulher. Realizando os tratamentos na Alemanha, na primeira intervenção teve seus testículos removidos, e a segunda deveria remover seu pênis. Em setembro de 1931, Lily faleceu três meses após uma complexa cirurgia de implantação de útero.

Alguns livros foram escritos sobre sua vida, entre eles “Man into Woman – The First Sex Change”, e “A Garota Dinamarquesa”, por David Ebershoff. Esta última novela está sendo adaptada ao cinema, com previsão de estreia para fevereiro de 2016 no Brasil.

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