Isadora Faber

Uma garota de armas potentes (ideias concisas, mente inquieta, máquina fotográfica e computador), Isadora Faber, 14 anos, é objetiva, questionadora, e o melhor: tem as respostas. No programa “Provocações”, explicou a Abujamra que suas ideias de publicar o que ocorria na escola Maria Tomázia (SC) tomaram dimensões que nem ela própria esperava. E Isadora não recuou.

Falta de professores, infraestrutura precária, condições pobres de aprendizado, e tudo que pode fotografar foi exposto em sua página. Seu questionamento da situação lhe garantiu apoiadores de todo o Brasil, e sua popularidade cresceu. A sensação de estar mudando a ordem para melhor também. Foi homenageada, convidada a discursar em palestras, congressos, recebeu honras, destaque no The Financial Times… e não abandonou sua convicção de que, enquanto as escolas não sofrerem reforma profunda, que vá desde os métodos educacionais às construções físicas, honrarias não serão o suficiente para ela.

Quando o negócio é educação no Brasil, a opinião é quase sempre homogênea: sem estrutura, sem qualidade, sem começo, meio e fim. Quando alguém questiona com raciocínio esse nosso sistema engessado educacional, pressupõe-se que esse alguém será aclamado, e sua voz será no mínimo ouvida, certo?!

Errado! Ameaças, Diário de classehostilidades, afastamento, injúrias, mentiras e agressões contra sua família, esse foi o tratamento direcionado a estudante que decidiu partir do discurso demagogo pra ação direta. Munida de celular e internet, criou o “Diário de Classe – A Verdade”, para denunciar as condições precárias em que padecia sua escola.

Se a voz que brada contra o arcaico sistema educacional e o descaso com as escolas públicas é tão uníssona, presente no discurso de tantos brasileiros, porque Isadora recebeu ameaças depois da criação do “Diário de Classe?”

A resposta é: manutenção do status quo. Todo mundo concorda que está ruim. Todo mundo discursa que seria bom mudar. Mas poucos se engajam quando a primeira mão é levantada, e com medo de que as bases se estremeçam tanto a ponto de derrubá-los, repensam se “não é melhor que permaneça assim mesmo”. Ainda bem que grandes meninas como Isadora estão aqui para provar que NÃO, NÃO PERMANECERÁ!

(Texto por Helena Vitorino)

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