As Hiper Mulheres vivem na região do Xingu. Tem porte atlético e forte, mas não são as características físicas que fazem dessas índias Hiper Mulheres: é sua a lógica de comportamento sexual que não as submete à iniciativa dos homens.

Não entendeu? O documentário “As Hiper Mulheres” observa a tribo étnica Kuikuro em preparação para o ritual Jamurikumalu: enquanto as índias se enfeitam e entoam cânticos como “o pinto dele está murcho / o pinto dele está murcho”, os homens se escondem nas ocas, fugindo das investidas sexuais das mulheres. Dançando, elas assaltam as ocas repentinamente, lançando-se sobre as redes, “forçando-os” a praticarem sexo imediatamente.

A palavra “forçar” vem em aspas porque a intenção não é de imobilizar os índios e estuprá-los: a graça está em manter a resistência, que os homens sustentam até se renderem às investidas das Hiper Mulheres. Parece estranho ao analisar da ótica ocidental-cristã em que estamos imersos: uma mulher ataca uma tribo, ofende um homem e o obriga a transar. Mas não deve passar despercebido que na cultura sexual indígena Kuikuro, a mulher tem representação de dominância e decisão, o que é perceptível ao longo do documentário. Elas falam sobre sexo e sobre os órgãos sexuais de seus parceiros sem parcimônia ou códigos obscuros, como aqueles que nós ocidentais-cristãs tivemos de criar pela imoralidade de pronunciar a palavra “pênis”.

Antes que as observações de coerção masculina, abuso ou estupro dos homens possam ocorrer, o documentário demonstra que o ritual é praticado sob “concordância” de toda a tribo, e que é muito apreciado tanto pelos homens quanto pelas mulheres.

(Texto por Helena Vitorino)

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